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Opinião

Extrema abnega��o

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| André Falcão de Melo * Ouve-se muito dizer que ninguém mais se preocupa com o próximo, que o sujeito tá se lichando pro outro, que o mundo tá egocêntrico, e por aí vai. Também pensava assim. Os fatos me mostravam que permanecer acreditando no ser humano fosse, talvez, rematada ingenuidade. Até sobre a falta de solidariedade da juventude dos dias atuais, dada a descrença, escrevi. Noutro dia, porém, deparei-me com a notícia de que seria solicitada a presença de tropas federais em várias cidades deste País, em face das eleições que se avizinham. Motivo: o clima de insegurança nesses municípios, marcado pela potencial violência prestes a ali ocorrer até o dia da eleição. A disputa entre os grupos políticos alcançara, dizia-se, um acirramento tamanho a recomendar assim se procedesse, preservadas a paz e a segurança públicas. Bem entendido, o mote não seriam os bandidos, de dentro ou fora do PCC (não confundir com partido político, embora a semelhança me pareça tenha sido propositalmente buscada pelos marginais), a ameaçar invadir tais cidadelas ou já nelas praticando alguma atividade criminosa. Não! O motivo é a disputa, violenta, pelo voto do eleitor; a briga exacerbada pelo cargo político almejado. Ôxe. Aí danou-se! Os sujeitos estavam se matando (ou em vias de) com vistas a ganhar uma eleição para o exercício de um cargo político? Mas como? Seria possível que a devoção à serventia ao povo fosse de tal ordem a propiciar esse engalfinhamento (ou coisa pior) entre os aspirantes? Sim, porque na essência do exercício do mandato não está o devotamento às gentes? Raciocine comigo, decerto surpreso leitor, abstraindo, naturalmente, sua condenação à violência por eles empregada na peleja. Se, para obter um mandato, ? que importa, em tese, imensos sacrifício e responsabilidade, auferindo remuneração que não enriquece ninguém (ela, não!), e sujeitando-se às legítimas cobranças da sociedade, ? usa-se até de meios violentos, a recomendar, pasme(!), o envio de tropas federais para conter os ânimos, digamos, mais exaltados, então, é de concluir-se: há esperança! Mais, ousaria afirmar. Há solidariedade (com um pouquinho de excesso, é verdade)! Afinal, está-se diante da manifestação máxima do desejo de servir o outro ? embora levada às últimas conseqüências por esses verdadeiros apaixonados pelo povo. Pôxa, então estava mesmo enganado! E eu ingenuamente achando que não valia mais a pena acreditar no homem... Bah! (*) É advogado.

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