Opinião
Vis�o acurada - Editorial
Enquanto a discussão sobre o Mercusul, entre seus membros, segue inócua e girando sobre os mesmos pontos, sempre inconclusas, um estudo realizado por uma empresa no outro lado do mundo, em Cingapura, aponta os buracos desta que poderia se transformar em algo real e alvissareiro para os povos da região. Segundo análise feita por uma empresa chamada InfoAmericas? Transportation & Logistics Practice, a infra-estrutura de transporte na área do Mercosul ?e, em especial, no Brasil?, está sucateada e ?dificulta o aumento das exportações e a própria integração regional?. Isso sabemos (podem dizer nossas autoridades), mas porque nenhum projeto de porte é lançado para esta área vital? O Brasil jactou-se durante décadas do rótulo de ?país continental?, mas nunca avançou nesta compreensão para entender que se investisse na infra-estrutura multiplicaria enormemente sua capacidade de liderança na América do Sul (além das óbvias vantagens nacionais). Hoje, tal é essa incompreensão, que a maior iniciativa na última década foi a ?operação tapa-buraco? recentemente executada pelo governo federal. Este estudo sobre o Mercusul foi debatido no Forum LatinAsia Business 2006, evento paralelo à reunião do FMI e do Banco Mundial (Bird) em Cingapura. Entre os obstáculos práticos ao desenvolvimento da região, foi identificado que ?a América Latina tem mais de dois milhões de quilômetros de estradas e rodovias, das quais somente 14% são pavimentadas. Levando-se em conta os países caribenhos, Barbados tem o maior índice de estradas pavimentadas em toda a região - 98% - enquanto o Brasil tem o menor índice - apenas 5%?. No outro lado do mundo, um estudo de uma empresa consegue ser mais objetivo que anos de papo furado entre os governantes de nossa latino-América. Quando mudaremos isso?