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Opinião

Somos ainda caet�s?

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| Marcos Davi Melo * Após um ótimo dia de relax, saí da Barra de São Miguel no sábado passado antes das 18 horas. Queria ainda pegar um cinema com minha esposa, Ivanelza, para completar o aprazível dia. A seção era às 20 horas e o percurso não deveria levar mais de meia hora. Mas demorou quatro e o trajeto que deveria ser agradável foi dos mais estressantes. Quando chegamos a Massagueira, o trânsito estava interrompido. Passamos cerca de 40 minutos parados e avançamos nada mais de que uns dez metros até o carro parar exatamente em cima da ponte. Ali a demora foi ainda maior e à medida que o escuro da noite avançava, a situação piorava: pedestres passavam em grupos ululantes, agressivos; carros embalados com motoristas embriagados pela contramão em plena ponte. Com a insegurança que reina em Alagoas, logo o ambiente se transformou de agradável a muito oprimente e ameaçador. Quando já passáramos um tempão retidos, soubemos que houvera um atropelamento na Barra Nova e os moradores exaltados, revoltados, tinham obstruindo a rodovia com árvores, pneus, o escambáu e tocado fogo em tudo. De longe podemos ver na noite escura a labareda e o clarão do grande fogaréu. Logo começou a chover e muitos carros trataram de retornar, com os motoristas apavorados gritando que a coisa só ia piorar. Diante do crescente tumulto, resolvemos também voltar por Marechal Deodoro, um trajeto longo sob intensa chuva. Chegamos a casa às dez; quatro horas após sairmos da Barra. Na escura, demorada e injustificada volta vinha pensando: no litoral norte constantemente as rodovias estão sendo ocupadas pelos sem-terra, o que tem infernizado a vida de alagoanos e turistas. Agora, se a moda de insurgência incendiária pegar no litoral sul, junto com a insegurança que já existia na Barra com os seqüestros, para onde vai o lazer dos alagoanos e também como ficam as nossas possibilidades de disputar o concorrido mercado de turismo, uma das poucas opções que temos para o desenvolvimento? Moreno Brandão em seu clássico Emancipação de Alagoas, dizia que o alagoano era ?Taciturno, algo desconfiado, sem a franqueza rude de outros provincianos, o alagoano detesta fanfarronadas e não tem avidez de glória?. Mas também citava que entre os muitos aborígines que habitavam estas plagas, os predominantes caetés se destacavam pelos hábitos ferozes e anti-sociais. Será que no Paraíso das Águas, tomar um banho de mar com o mínimo de segurança é pedir demais? Alagoas não está se transformando no paraíso do vandalismo nas estradas? (*) É médico e professor da Uncisal.

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