Opinião
Elei��es: pra�as vazias
| Luiz Barroso Filho * A proibição de showmícios na campanha eleitoral deste ano, com o objetivo de combater o abuso do poder econômico, mesmo que não alcance o resultado previsto, permitiu ao eleitor esclarecido fazer uma avaliação da popularidade de uma porção de candidatos agora impedidos de pegar carona no prestígio dos artistas. Com isso, muitos políticos que contratavam cantores e grupos musicais famosos, para atrair eleitores desinteressados nos discursos enfadonhos e demagógicos, não têm conseguido levar multidões às praças públicas, aos tradicionais comícios, - espetáculos que outrora representavam o ponto máximo da campanha eleitoral, - estão priorizando as caminhadas e o chamado corpo a corpo com o eleitor, procedimentos que, apesar de cansativos, são proveitosos para os candidatos, que conseguem ganhar o voto do eleitor incauto, com outros ?atrativos?, infelizmente. A respeito dos showmícios, é improvável sua interferência na intenção de votos e no resultado das eleições, pois a maioria das pessoas que participa desses eventos não demonstra o menor interesse em conhecer os candidatos e suas propostas, querem apenas ver e aplaudir os artistas que admiram, haja vista que uma parcela significativa do eleitorado vota somente por causa da obrigatoriedade imposta pela legislação. Por outro lado, os analfabetos e os adolescentes maiores de l6 e menores de l8 anos, para os quais o voto é facultativo, representa um contingente importante e que pode decidir uma eleição. No entanto, a maioria não sabe sequer quais são as atribuições do candidato em quem está votando. Na verdade, o alheamento do eleitor e o mau comportamento da classe política são os responsáveis por esse processo que tende a se deteriorar, se outros mecanismos não forem criados pela Justiça Eleitoral, nos próximos pleitos, no sentido da valorização do voto e da politização do eleitor, cuja contribuição para o aprimoramento do processo já seria importante se a denúncia devidamente comprovada de compra de votos e outros subornos, fossem feitas, sem medo, aos órgãos competentes, como o Ministério Público e ao Tribunal Regional Eleitoral. O fato é que às vésperas das eleições, as mudanças observadas no processo eleitoral deste ano, independentemente das baboseiras do Guia Eleitoral do rádio e da TV, contribuíram apenas para aumentar a apatia do eleitor e as artimanhas dos candidatos. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.