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Miopia hist�rica - Editorial

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Em lenta desconstrução, um dos mais expressivos casarões do centro histórico de Maceió oferece um testemunho tristemente eloquente de como malversamos nosso patrimônio cultural. O casarão da rua do Imperador era o derradeiro dos imóveis daquela artéria que ainda poderia ser recuperado. Estava íntegro, apesar de superficialmente desgastado. O musgo e a fuligem cobriam-lhe os trabalhados elementos decorativos, as portas e janelas - apesar de descascadas de suas tintas - conservavam incólume o talento dos marceneiros e a qualidade da madeira de lei. A ferrugem bem que tentava, mas nuca conseguiu acabar com os rebuscados portões e balcões em ferro. Parecia que a Natureza resistia às suas próprias leis e poupava, década após década, o sobrado abandonado. E, quando depois de muitos e muitos anos, se vislumbra a possibilidade de avanço na sonhada idéia de requalificação do centro urbano de Maceió, com a retomada da ênfase nas belezas e nos valores culturais da arquitetura histórica daquela área... Neste momento, o Palacete dos Pedrosa começa a sofrer um lento, mas irreversível, ataque. Ataque consciente, sistemático, que vai surrupiando do imóvel suas partes ?desmontáveis?. Vão-se as portas, as janelas, os balcões. A memória vai sendo roubada. Pergunta-se: o imóvel estava tombado? Responde-se: não. Pergunta-se: por quê? Não há resposta. Também não há resposta para o não-tombamento do Palácio do Arcebispado (situado no mesmo perímetro e sofendo de longo abandono) e para outros tantos imóveis históricos de Maceió. Infelizmente, a cada prédio derrubado em Alagoas, se confirma a miopia empreendedora que dificulta o reconhecimento e a devida valorização dos bens culturais de nosso Estado.

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