loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Desenvolvimento cient�fico

Ouvir
Compartilhar

| Humberto Martins * É notável como em regime de livre iniciativa, no qual o poder público desempenhe seu papel de acompanhar, sem interferir ? à não ser em casos de necessidade ? as coisas se acomodam, encaixando-se a evolução técnica na realidade. Não alcançamos, ainda, no Brasil, plenamente, esse estágio desejável, mas alguns episódios sugerem que estamos nos aproximando. A produção científica nacional cresceu 19% no último ano e o aumento foi impulsionado principalmente por estudos na área da medicina, segundo revelação feita pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), durante recente encontro anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Florianópolis, Santa Catarina. A realidade de que uma grande parte da população padece de doenças, a mobilização dos governos para remediar essa situação, a existência de planos e seguros de saúde em número que se aproxima de 40 milhões e a existência de laboratórios integram um universo que estimula a pesquisa. A quase totalidade dos indivíduos se dedica a esse ou aquele segmento para prosperar e consolidar-se profissionalmente. É o que está acontecendo, em grande escala, no Brasil, no setor médico-científico. O País teve entre 2004 e 2005 um crescimento de 13.313 para 15.777 no número de artigos publicados em periódicos científicos. O cálculo é do Instituto de Informação Científica (ISI). Mantido esse ritmo, ultrapassaremos na matéria dois países que embora pequenos territorialmente ? Suíça e Suécia ? apresentam alto grau de desenvolvimento científico, firmando-nos na 15ª posição. O crescimento dos estudos médicos altera o quadro de divulgação científica que em 2002 dava prevalência à área de física. Daquele ano até agora os médicos ultrapassaram os físicos na publicação de estudos. Além do atraente universo profissional que polariza a atividade, o rigor adotado na avaliação dos cursos de pós-graduação, desde 1998, contribui significativamente para essa evolução. Nesse ambiente positivo há, entretanto, aspectos preocupantes, pois apesar do crescimento no número de artigos publicados, não houve aumento de um indicador científico que serve para avaliar a atividade tecnológica: patentes. Nesse ponto, a situação brasileira é incômoda, encalhada na 27ª posição entre as nações que mais depositam patentes, em completo descompasso com o seu Produto Interno Bruto (PIB), que é o 14ª na economia mundial. Mas com determinação, ultrapassaremos também esse obstáculo. (*) É ministro do STJ.

Relacionadas