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Fr�gil democracia

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| Elaine Pimentel * Sempre que estamos em ano eleitoral a palavra democracia parece habitar mais constantemente os diálogos dos cidadãos brasileiros. É como se proximidade das eleições desencadeasse uma cidadania outrora adormecida e que, a cada dois anos, é obrigatoriamente despertada de seu sono, com a árdua tarefa de decidir os rumos políticos do País. É certo que o Brasil, com suas dimensões continentais, está longe de ser um País de características unívocas. Ao contrário, os Estados da Federação apresentam suas peculiaridades políticas e são permeados por problemas de diversas naturezas durante as eleições. Em Alagoas, particularmente, a secular tradição de violência política gera nos eleitores um clima de expectativa. Para não contrariar o caráter cíclico da história, assistimos, estupefatos, à chacina que matou, dentre outros, o prefeito do município de Roteiro. Segundo noticiam os jornais, o crime pode ter relação com as eleições. As autoridades locais, diante do fato ocorrido, planejam estratégias de prevenção para o dia das eleições, com o intuito de evitar que outros episódios tão lamentáveis quanto esse venham a ocorrer. Tudo isso em prol da proteção daquele que figura como protagonista no cenário democrático: o povo. Como se não bastasse a atmosfera de medo que ronda o cotidiano dos alagoanos diante do aumento da violência e da criminalidade nas maiores cidades do Estado, nas estradas e na própria zona rural, o povo tem que lidar com a total desvirtuação do processo democrático, o que não deixa de ser mais uma forma de violência. Um dos piores efeitos dessa triste realidade se dá no contexto de uma crise ética generalizada, que afeta todas as instituições políticas e jurídicas. Em outras palavras, as instituições denominadas democráticas perdem a credibilidade diante da corrupção e deixam a população em absoluto estado de orfandade e desamparo. Como pode, então, esse mesmo povo ter referenciais sólidos para decidir nas eleições? De fato, em meio ao clima tenso das eleições em Alagoas, salta aos olhos que a democracia padece, sobretudo porque estamos diante de um povo politicamente despreparado para votar. Esse despreparo resulta não apenas da falta de uma educação política de base, que permita um voto consciente, mas também é conseqüência de uma crise de paradigmas que revela quão frágil é a nossa democracia. (*) É professora de Filosofia do Direito, mestra em Sociologia e membro do Conselho Penitenciário do Estado de Alagoas.

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