Opinião
N�o vote em branco nem anule o voto
| Sérgio Costa * É verdadeiramente interessante analisar os períodos que antecedem nossas eleições. Neste tempo de alegria e alvoroço, de mentiras e paixões exacerbadas, chega-se à conclusão de que o eleitor será o único responsável pelos destinos do nosso País. Mas o voto já afastou políticos corruptos e quase nada mudou. Já votamos em homens tidos como honestos cujos princípios foram triturados pelas orgias do poder. Quero dizer, com isso, que o voto contribui, mas é necessário que as outras instituições democráticas funcionem. Mas sempre parece alguém para dizer que ainda devemos farejar os passos dos políticos. Como? Será que além de pagar impostos ainda temos que sair por aí fazendo escutas clandestinas a fim de descobrir falcatruas? Aí já é demais! Não seria mais lógico que os políticos honestos fizessem um trabalho depurativo nos partidos dos quais fazem parte? Sim. A Justiça não devia ser mais rigorosa no seu trabalho investigativo? Devia, pois é ela que aprova o registro das candidaturas, que fiscaliza as prestações de contas dos candidatos e que diploma os eleitos. Mais: é ela que tem poderes para quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico daqueles que apresentarem indícios de irregularidades. Por que será que essas ações não acontecem? Não sei. Às vezes penso que a omissão das nossas instituições nos levou ao fundo do poço. Depois de sepultar a ética, a omissão apostou no analfabetismo. Entrou nas veias obscuras da impunidade e do autoritarismo e chegou triturando a consciência que devia nortear as decisões dos partidos políticos, onde tudo começa. Os partidos políticos, vale dizer, são hoje depósitos do caldo dessa cultura vil e interesseira. São eles que selecionam os candidatos a candidatos. E como tem gente ruim, meu Deus! O fato é que o descrédito deixou os ?salvadores da pátria? indecisos. Uns dizem que votam em branco; outros, que vão anular o voto. Mas lavar as mãos não resolve. Apenas para ilustrar, imaginemos que o nosso País tenha apenas 1.000 eleitores e dois candidatos. Imaginemos ainda que um deles consiga 400 empregos para parentes e amigos. Os outros seiscentos eleitores, indignados com essa situação, votam em branco ou anulam o voto. Quem se elegerá? Surpresa! O protecionista, que receberá os 400 sufrágios de agradecimentos. A omissão é o esconderijo dos fracos. Comprometa-se, eleitor. Escolha um candidato e vote. Mesmo para continuar se decepcionando, pois a indignação poderá mudar os destinos do nosso País. A omissão, não. (*) É contador.