Opinião
Em tempo de elei��o
| Anilda Leão * O que eu sempre soube ? desde o tempo em que meu pai foi deputado estadual pela primeira vez e eu ainda era uma adolescente querendo entender coisas tidas como complicadas, isso lá por meados dos anos trinta do século que passou ?, é que a Política, assim mesmo com letra maiúscula, é a arte de bem governar os povos e de lidar com os negócios públicos em prol do bem comum. Era isso o que meu pai me dizia e, conforme ele ia respondendo, eu já lhe lançava uma outra indagação, para enfim ouvi-lo dizer que, mesmo sem receber nenhuma compensação financeira, os homens de bem se reuniam na Assembléia com a maior boa vontade para debater os problemas da nossa terra e da nossa gente, procurando resolvê-los da melhor maneira possível. Não demorou muito tempo, porém, para que eu, chegando à idade de votar, encontrasse um clima já bem diferente daquele de que me falava o velho Joaquim Leão. E daí em diante o meu dever de cidadã alagoana e brasileira viu-se sempre na contingência de debater-se contra o comportamento da maioria dos políticos que, em vez de apresentar ao povo seus planos de trabalho e metas de governo, mostram, isso sim, verdadeiro desrespeito ao eleitorado, numa batalha de xingamentos e calúnias. E isso em meio à confusão das inúmeras siglas que brotam por aí feito chuchu na serra e já nada dizem, tal como a balbúrdia ideológica que se instaurou, com os famigerados conchavos e compadrios. Para justificar tal comportamento, temos que compreender, amargamente, que a correria pelos votos, hoje em dia, com raríssimas exceções, tem como meta apenas a sinecura, as vantagens pessoais, o butim. E somos obrigados a testemunhar a vergonhosa e descarada venda de votos, as facadas dadas pelas costas de quem antes era tido como correligionário fiel, e à multiplicação dos mensalões e mensalinhos, dos sanguessugas e dos vampiros que nem se vexam mais de roubar a população naquilo que ela tem de mais sagrado que é a sua saúde. Ser político, na sua verdadeira e legítima acepção, é um dever bonito e patriótico. Mas parece que quem não tem o chamado jogo de cintura e não sabe bradejar promessas vãs; quem não sabe mentir ou vender sua consciência, como temos visto hoje em dia em políticos ainda tão jovens; enfim, que quem se arma apenas de idealismo e dedicação verdadeira ao povo, tem cada vez menos oportunidade de ir contra esse estado de coisas. Até quando Alagoas e o Brasil vão agüentar? (*) É escritora.