Opinião
Santa Madre Paulina 35
DOM EDVALDO G. AMARAL * Seu primeiro nome de batismo era Amabile ? Amável. Seu segundo nome era Lúcia ? a quem tem luz, a luminosa. Seu nome de religiosa foi Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Como o apóstolo Paulo, ela viveu sua vida religiosa em atividade incansável e em sofrimento amargo, heroicamente suportado, na imitação de Jesus agonizante no alto da Cruz, e ela sempre amável e sempre difundindo em torno de si a luz da caridade viva e operante. João Paulo II a declarara beata em Florianópolis, a 18 de outubro de 1991, em sua segunda viagem apostólica ao Brasil, na véspera do dia em que veio a Maceió. Agora, domingo, 19 de maio deste ano, foi proclamada SANTA, a primeira do Brasil, embora nascida na Itália, a 16 de dezembro de 1865, em território então sob o domínio austríaco. Seus pais, Antônio e Ana Visitainer, de nome alemão, vieram para o Brasil quando Amábile Lúcia tinha 10 anos, segunda entre 14 irmãos. Já aos 14 anos de idade, pouco depois de sua Primeira Comunhão, tornou-se catequista das crianças e gostava de visitar os doentes de Nova Trento, cidade de Santa Catarina, onde os Visitainer moravam como colonos, dedicados ao trabalho do campo e uma vida de simplicidade evangélica e profunda convicção religiosa. Aos 25 anos, deixa a casa de seus pais e com uma companheira, Virgínia Nicolodi, vai morar em um casebre para cuidar de uma mulher desamparada, doente de câncer. Foi a data de 12 de julho de 1890, considerada como a da criação da Congregação religiosa, a primeira fundada no Brasil, que mais tarde, em 1909, tomou o nome de Irmãzinhas da Imaculada Conceição. A esta altura, contava com todo o apoio de dom José de Camargo Barros, então bispo de Curitiba, e era assistida espiritualmente pelo pe. Luiz Maria Rossi. Em 1903, madre Paulina é eleita superiora-geral vitalícia, mas só dirigiria o Instituto Religioso que fundara com virtudes heróicas até 1938, quando começa o seu calvário, espiritual, pela incompreensão de superiores eclesiásticos ? físico, por uma dolorosa enfermidade, que lhe faz sofrer sucessivas amputações até chegar à cegueira total. Diz dela o atual arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eusébio Scheid: ?Foi fiel a Deus durante toda sua vida e aceitou tudo, os ventos favoráveis e os ventos contrários, testemunhando sempre seu amor pela Igreja e por sua Congregação. Levou uma vida de autêntica religiosa, até mesmo quando foi provada por humilhações e doenças. Os ventos contrários a levaram cada vez mais à frente. Além disso, soube compreender a vontade de Deus, até mesmo nos menores acontecimentos do dia-a-dia. Possui as virtudes mais excelsas de uma alma privilegiada pela graça divina: espírito de laboriosidade, coragem, fortaleza e religiosidade. Era enérgica, compre-ensiva, resoluta. Enfrentava o desânimo e as provações com demonstrações de alegria e de bom humor, dizendo: ?Com alegria e amor a Deus, todos os demônios se afastam?. Adormeceu santamente no Senhor em 9 de julho de 1942. Os milagres começaram a acontecer três dias depois de sua morte e em pouco tempo cresceu e se difundiu a devoção e a fama de santidade de Madre Paulina. Quarenta e nove anos após sua morte, foi beatificada e onze anos depois, o papa a declara santa. O arcebispo de S. Paulo, dom José Gaspar de Afonseca e Silva, dissera em sua missa de corpo presente: ?Perdemos uma santa?. Hoje, o Brasil inteiro diz com emoção e contentamento: ?Ganhamos uma Santa! (*) É ARCEBISPO DE MACEIÓ