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Opinião

N�o ao vale-tudo

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| Marcos Davi Melo * ?O mundo inteiro regula-se pelo exemplo do rei? (Claudiano, 370-407 d.C.). O último escândalo político surgido na praça, a tal Operação Tabajara, não tem nada de engraçado. A tentativa perpetrada por membros do PT de vender um dossiê sujo contra o ex-ministro Serra (que não é nenhum santinho, ressalte-se) é mais um procedimento que escancara, cada vez mais explicitamente, tendência do uso do vale-tudo na política brasileira. E isto é a consumação da barbárie. Na insalubre tradição da política nacional este não é um fato novo nem inusitado, o inquestionável agravante agora é a sensação de que os filiados ao partido do presidente da República, envolvidos no episódio, se não foram estimulados a praticar tal ilicitude, não foram ao menos dissuadidos deste execrável ato, quando o chefe anteriormente foi leniente com fatos escabrosos perpetrados por companheiros de partido e, recentemente afirmou que para exercer a política no Brasil é preciso botar a mão em matéria fecal. Moliáre afirmava que era o escândalo público que ofendia; pecar em segredo não era pecado algum. Lula certamente desconhece ou despreza a ironia malvada do teatrólogo francês. De nenhuma forma defenda-se a dissimulação, o encobertamento da ilicitude, mas por outro lado do presidente da República espera-se o desestímulo, a condenação da prática do ilícito. Do mandatário maior da nação espera-se que se envergonhe das maracutaias, que as condene e as combata com vigor e empenho; o País já está mais do que sufocado no lodaçal que o cerca e o ameaça afogar. A parte saudável da nação ? e ela existe ?, esperava que Lula tivesse vergonha de ver os seus companheiros chafurdar na lama, nunca aceitasse isto como modus operandi natural do processo político nacional, por mais que ele seja sujo; como afirmava George Bernard Shaw: ?De quanto mais coisas um homem se envergonha, mais respeitável ele se torna?. Resta, além da indignação que felizmente ainda sobrevive em parte significativa da sociedade, a expectativa com o reflexo deste episódio nas eleições. Mesmo levando-se em conta que uma parcela importante do eleitorado de Lula tem dificuldade de acesso às informações e outra vota fechado em seu candidato, independente do que possa acontecer, não se deve perder a esperança de que os fatos se somem e propiciem um segundo turno, gerando assim à oportunidade de ampliar o debate sobre a realidade política que nos cerca e quiçá a repulsa da sociedade a esta abominável práxis. (*) É médico e professor da Uncisal.

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