Opinião
Perigos cotidianos - Editorial
Sexta-feira à noite, ao saírem de suas aulas, estudantes de duas instituições de ensino superior ? ao invés de irem à balada ? fizeram uma manifestação pública por mais segurança urbana. Indignados e mobilizados, protestaram contra o que sentem na pele e denunciam como um clima de terror permanente. Gritaram palavras de ordem, interromperam o trânsito por momentos, fizeram uma passeata noturna. Aos portões da Organização Arnon de Mello, clamaram atenção da imprensa ? no que foram atendidos. Mas além das reportagens, além das manifestações, além da indignação da população, as autoridades públicas estão chamadas a darem respostas urgentes a esta situação de crescente insegurança urbana em Maceió. Os bandidos infestam as ruas, sem dar trégua nem descanso ? seja pelo dia ou à noite, a população é martirizada. As escolas (de qualquer nível de ensino) estão se tornando alvos preferenciais dos meliantes, que levam tudo o que possa ter algum valor. Carteiras, bolsas, celulares, aparelhos portáteis de som, tênis... a lista dos objetos de desejo é vasta. E no caso da vítima ser apanhada sem nada que atenda à sanha dos bandidos, o risco é enorme. Segundo denúncias dos manifestantes da noite de sexta-feira, um dos fatos que causou mais revolta a todos, foi a morte de um colega depois de ter tido os pulsos cortados por um marginal revoltado pelo fato do assaltado estar sem nada de valor. Efetivamente, um ato de terror. Terror cotidiano, urbano, que paira sobre toda uma comunidade que se esforça para vencer honestamente na vida, trabalhando, estudando, buscando novas oportunidades. Inaceitável a continuidade desta situação. O poder público terá de ser mais atuante, mais rigoroso, mais criativo, para mudar esta realidade. Sem mais delongas.