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Seu nome era Jo�o

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| Dom José Carlos Melo, CM * Contemplando a extraordinária figura de dom Luciano Mendes de Almeida, falecido recentemente, vieram-me à mente estas palavras do prólogo do Evangelho de João: ?Havia um homem enviado por Deus. Seu nome era João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz, a luz verdadeira que, vindo ao mundo ilumina todo homem? (Jo 1, 6-9). Por seu nome, pela sua vida e sua missão, a dom Luciano com propriedade se aplicam as palavras do prólogo de João: ?Ele veio para dar testemunho da luz?. Quem conviveu com ele tinha a clara impressão de estar diante de alguém totalmente impregnado de Deus, vivendo continuamente em Sua presença. Um místico em meio aos cuidados cotidianos, um contemplativo na ação. Dom Luciano nasceu em 1930, em Nova Friburgo-RJ, contou com uma sólida formação de Jesuíta, ordem em que se formou presbítero em 1958. Adquiriu sólida base filosófica, teológica e humanística. Doutorou-se em filosofia tomista, na Universidade Gregoriana de Roma, dedicou-se à pastoral carcerária. Na ordem, exerceu diversas funções, inclusive a de vice-provincial para a formação. Chamado ao Episcopado pelo papa Paulo VI, dom Luciano serviu a partir de 1976 na Região Belém, em São Paulo, onde o conheci de perto como bispo auxiliar do cardeal dom Paulo Evaristo Arns. Em 1988, foi eleito para a arquidiocese de Mariana onde, fiel ao seu lema episcopal ?in nomine Jesu? (Em nome de Jesus), se doou totalmente por dezoito anos e três meses até a sua morte. Seu segredo consistia em insistir em torno às coisas essenciais, fomentando o respeito às legítimas diferença e praticando em tudo a caridade e o respeito mútuo. Tinha memória prodigiosa, recordando nomes de pessoas que há muito não encontrava. Todos se sentiam bem acolhidos por ele. Homem das sínteses e das boas formulações, sabia articular uma multiplicidade de propostas e sugestões. Esse seu carisma foi muitas vezes decisivo na construção de textos e declarações, que marcaram profeticamente a Igreja, ainda durante o regime militar e nos grandes debates em defesa da vida, da justiça e da paz, da conservação da natureza e do ambiente, da luta pela superação da miséria e da exclusão. A consciência que dom Luciano tinha da morte era tão viva, a ponto de agradecer as pessoas que estavam rezando por ele com as seguintes palavras: ?Estou nas mãos de Deus. Deus nos criou por amor e Ele sabe o que é melhor para nós. Coloco minha vida nas suas mãos. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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