Opinião
Fonte da vida
| Jorge Briseno * As palavras acima são utilizadas para ressaltar a importância da água para a sustentabilidade ambiental do planeta. Também demonstram que esse recurso natural tem tanta importância estratégica e geopolítica quanto outro bem no planeta, o petróleo, denominado ?ouro negro?. A disputa pelo petróleo dissemina guerras porque este combustível é fator-chave para o desenvolvimento de países, diante da importância da variável energética no cenário mundial. No entanto, a ironia dessa comparação é que, para o petróleo, a humanidade tem substitutos. A utilização de fontes de energia renováveis ? solar e eólica ? ou de combustíveis como o álcool, o biodiesel, a geração de energia através da biomassa ou mesmo das células de hidrogênio, mostra que o mundo possui alternativas para enfrentar a escassez de energia causada pelo desaparecimento dos combustíveis fósseis. E para a água? Qual produto poderemos utilizar para substitui-la? Denominada de planeta azul, a Terra possui apenas 2,5% de água doce do total de recursos hídricos. Se retirarmos desse número as águas doces de difícil acesso, como as que estão nas calotas polares ou as localizadas em grandes profundidades, teremos menos de 1% de toda a água do planeta disponível para a humanidade. A demanda por água já coloca as nações diante de graves conflitos. No mundo inteiro, mais de 300 bacias hidrográficas dos mais importantes rios do mundo drenam diversos países e tornam-se objeto de desavenças. Os rios ignoram as fronteiras impostas pelos homens. Alguns exemplos: os indianos, deixando de lado os ensinamentos pacíficos de Gandhi, disputam, às tapas, as águas do rio Ganges com Bangladesh. Dois terços da água que Israel consome se originam das colinas de Golan e da Cisjordânia, controladas mediante intervenções militares. Não é sem motivo que um israelense consome quatro vezes mais água do que um palestino. Nós, os brasileiros, e os nossos hermanos argentinos disputamos as águas do rio Paraná. O Iraque, a Síria e a Turquia já chegaram a mobilizar tropas em defesa dos direitos sobre as águas do Tigre e Eufrates. Os educadíssimos europeus esquecem toda a fleuma quando o assunto é o Rio Reno, que possui em sua bacia nove países europeus. Os EUA roubaram o Rio Colorado dos mexicanos para irrigar os desertos do Arizona e da Califórnia e para manter cheias as piscinas dos ricos de Los Angeles. Será que ainda existe dúvida de que o domínio da água, tal qual o petróleo, constitui um elemento essencial de exercício do poder, a ponto de tornar-se um item de segurança nacional? (*) É engenheiro e presidente da Casal.