Opinião
Turismo e cultura - Editorial
Em bom momento, empresários do turismo emitem sinais de reconhecimento da cultura local como um dos focos de atração de visitantes. Para um Estado como Alagoas, onde os valores naturais e culturais podem ser listados entre os mais atrativos de todo Brasil, esta compreensão é um passo decisivo para o descortino dos grandes potenciais para o turismo em escala efetivamente industrial. O mais importante nesta compreensão é sua expressão em investimentos reais, ousados. Cabe à iniciativa privada tomar a frente deste processo e daí cobrar a parceria do poder público ? a equação inversa não tem dado resultado. É necessário inovarmos neste campo. E bons exemplos, se bem que ainda isolados, existem em nosso Estado. Na cidade do Penedo encontramos casos merecedores de elogios, começando pela razoável conservação de vários imóveis privados no centro histórico (um desses transformado em pousada há anos). Infelizmente, na grande maioria das cidades alagoanas, os proprietários de casarões permitiram que os mesmos fossem ao chão, assim como belos imóveis situados na zona rural foram sumariamente demolidos. Mas sobrevivem muitos outros lugares dignos de projetos de investimentos unindo cultura e turismo ? a região compreendida entre as serras da Barriga e Dois Irmãos (municípios de União dos Palmares e de Viçosa) pode se transformar num grande pólo de atração do turismo cultural (em seus nichos histórico e étnico, além de ecológico) em função do perímetro de ouro do Quilombo dos Palmares e dos resquícios de Mata Atlântica que teimam em lá sobreviver. Potencial existe. Basta ousar apostar e construir parcerias entre a iniciativa privada e o poder público (isolados, não têm sucesso) para que os tesouros culturais de Alagoas possam se somar às riquezas naturais e, assim, multiplicar a força de atração do Estado como pólo turístico vigoroso.