Opinião
Compromisso de todos pela educa��o
| José Medeiros * Sabe-se que sem educação de qualidade nenhum país consegue desenvolver-se à altura do mundo competitivo e globalizado em que vivemos. A educação é alavanca propulsora da melhoria social. Isso é dito nas campanhas eleitorais. Passada a eleição, tudo volta à rotina e nem sempre substanciais melhorias são colocadas em prática. Pelo que ouvi durante o período do horário eleitoral, a educação poderá constar de uma agenda positiva de futuros governantes, transformando esse tema numa prioridade nacional. O que o país precisa, de fato, é de uma revolução educacional, com mudança de posicionamentos, definições políticas, envolvendo a União, Estados, Municípios e a sociedade civil organizada. Os resultados da Prova Brasil trazem dados inquietantes: ?Alunos terminam a oitava série com o conhecimento que deveriam ter adquirido até a conclusão da quarta série?. Decorridos quase seis anos da aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo Congresso Nacional, há poucas vitórias a comemorar. Lamentavelmente, os dispositivos que asseguravam avanços no financiamento da educação foram vetados, sob alegação de dificuldades nos ajustes das dívidas interna e externa. Todavia, ao vetar esses dispositivos, vetou-se também a chance histórica de se instaurar uma política educacional mais condizente com as necessidades brasileiras. Como a esperança é a última que morre, talvez sirva de alento a possível aprovação (Fundeb). Em tese, ele aumentaria o compromisso da União para com a educação básica, ampliando o investimento atual de 500 milhões para 5 bilhões de reais. Como somos um país cartorial, o ?contingenciamento? (palavra bonita inventada para justificar restrições e cortes de verbas) talvez não permita que esses recursos cheguem à ponta do sistema. Há uma novidade que merece referência. Setores representativos dos maiores grupos empresariais do país pretendem lançar um amplo programa: ?Compromisso de todos pela educação?, que tentará conscientizar a sociedade civil para maior apoio à melhoria do processo educacional. O governo faria sua parte, a sociedade estaria cada vez mais engajada nesse projeto, o empresariado entraria com substancial investimento. Daria certo? Nós estamos acostumados com a idéia de que tudo isso é responsabilidade exclusiva do governo. Sou um otimista crônico, jamais perco a esperança de ver a educação como a prioridade das prioridades, no palco das melhores atenções. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.