Opinião
Votando em paz - Editorial
Confirmada a presença de tropas federais em 19 municípios alagoanos, para reforçar a segurança do dia da eleição, um sentimento de alívio espalhou-se sobre o Estado, especialmente sobre essas cidades alcançadas pela ?tropa da paz?. Há quem aposte que seriam necessárias mais tropas ainda, atuando em mais municípios - mas é inegável que 19 cidades cobertas por forças do Exército configura um índice (mais ou menos 20%) respeitável, até no Iraque. O grande desafio, porém, é o combate contra todo tipo de violência no dia-a-dia, antes e depois do domingo de voto. Não se pode pretender destacar a violência política do cenário de violência ?comum?, pois ambas têm a mesma base: a incapacidade do aparelho de Estado em garantir a paz para a comunidade. Explodem querelas de violência política apenas em sociedades que já padecem da insegurança geral, em lugares já açodados pelo crime organizado e pela impunidade. Ao mesmo tempo em que devemos aplaudir a ação de reforço federal, devemos cobrar das autoridades (de todos os poderes constituídos) ações - em uníssono - mais ousadas, mais radicais e mais eficientes contra todas as formas de violência e especialmente deveremos exigir um reforço permanente na luta cotidiana contra o crime organizado. Apenas a ação desenvolvida em parceria entre os poderes e as polícias pode produzir resultados mais significativos. A intervenção do Exército deve ser vista como algo absolutamente extraordinário, pois a função das Forças Armadas, em qualquer país do mundo, deve ser outra, cabendo às polícias a função de manter a ordem interna e garantir a aplicação da Lei. Que Alagoas tenha eleições em paz. Que, num futuro próximo, não seja mais necessária a participação de tropas do Exército para garantir a ordem num dia de festa da democracia. Esta é a nossa esperança.