Opinião
Lombadas do lucro - Editorial
Merece reflexão, e reações, a anunciada retirada de lombadas eletrônicas de áreas donde não estariam dando lucro. Um grande prejuízo para a cidadania: afinal, esses equipamentos servem para fazer dinheiro ou evitar acidentes? Há muito tempo, a finalidade mesma de tais equipamentos tem sido alvo de importantes debates e até uma voz da magistratura chegou a se levantar contra desvios no uso de máquinas deste tipo, pois - em muitas ocasiões - parecia que o objetivo primordial seria uma multiplicação dos recursos advindos das multas aplicadas e não a educação e segurança no trânsito. Depois de uma salutar polêmica, o tema foi esfriando e as lombadas eletrônicas foram ficando. Hoje, a questão volta ao noticiário - e de forma preocupante, pois confirma uma opção equivocada: a do lucro puro e simples. Com razão, apavorou-se a comunidade do Sítio São Jorge. Área vulnerável a acidentes, em função da sinuosa e estreita pista asfáltica que serpenteia entre as muitas habitações. Sem a defesa oferecida por esse equipamento, os riscos de acidentes voltarão ao assustador patamar de antes. É certo afirmar que, pelo menos no Sítio São Jorge, as lombadas eletrônicas confirmam eficiência, ajudando a educar o trânsito; e o resultado inquestionável é a drástica redução dos acidentes e das infrações passíveis de multa. Naturalmente, com motoristas educados o número de multas só pode cair. Este é o lucro de equipamentos como as lombadas eletrônicas. Definir a colocação dessas máquinas em locais onde o apurado é mais volumoso é um grande erro, pois com tal orientação esses instrumentos serão totalmente deslocados das comunidades mais carentes para as largas avenidas nas quais pequenas ultrapassagens de velocidade, apesar de oferecerem riscos muito menores (perigo mesmo é em locais como o Sítio São Jorge), produzem polpuldas multas.