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O voto �til e o question�vel

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| Marcos Davi Melo * Ao término de mais uma etapa de uma campanha política e com as pesquisas ainda ameaçando uma vitória de Lula no primeiro turno, apesar de tudo o que se revelou de descalabros em relação à sua administração, é impossível não se fazer algumas reflexões em relação ao desenvolvimento do processo político brasileiro. Como a maioria dos eleitores de Lula neste momento está situada nos estratos de baixa renda e baixa escolaridade, e eles são o porcentual majoritário da população, as condições estão abertas para a manipulação desta massa em favor não só das políticas clientelistas e assistencialistas, que condicionam a acomodação dos contemplados a uma situação de preguiçosa inércia, como também inibem as políticas públicas que propiciem condições dignas de sobrevivência pelo trabalho, via criação de empregos na cadeia produtiva, o que liberta o cidadão e alavanca o desenvolvimento do País. Outros riscos de manipulação deste capital eleitoral em uma situação limite ( tipo processo de impeachment) não podem ser descartados. O amadurecimento das instituições brasileiras seria o suficiente para impedir vôos autoritários em um presidente dotado de forte apoio popular? Não foi este apoio popular o que impediu a oposição de partir para o impeachment quando da explosão do Mensalão? Lula em momento de forte tensão, recentemente, já externou a tentação de liberar a veia autoritária. Caso a eleição se decida no 1º turno, com as sombras da Operação Tabajara a ameaçar o seu segundo mandato, o que será mais improvável: a abertura de um processo de impeachment ou uma guinada populista-radical de Lula se amparando nos votos dos descamisados? Aqueles por quem a esquerda e os democratas tanto brigaram para ter o direito de votar e hoje não o fazem sem receber pagamento, seja ele somente os 50 reais no dia da eleição ou o assistencialismo estatal, o que significam para a evolução da democracia no País? Afinal, na Belíndia, o que se tornou o voto da Índia? No Nordeste onde a pobreza e a miséria predominam e o poder econômico, seja o estatal disfarçado em assistencialismo, empreguismo e nepotismo, ou o privado, cínico e agressivo, se assemelham e podem a cada eleição decidir mais e mais o pleito --- existe o ético, o idôneo? Quem vai levantar a bandeira do voto não-obrigatório? E se em última análise ele fosse instituído, quem ganha dinheiro ou favorecimento com o seu voto, iria deixar de votar? Nesta encruzilhada, não seria mais simples abolir a reeleição? (*) É médico e professor da Uncisal.

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