Opinião
Agricultura familiar � neg�cio para Alagoas
| Sérgio Papini Uchôa * Tecnologia, extensão rural, insumos e sementes de boa qualidade, água na quantidade e tempo certos, capital, equipamentos adequados, análise do ponto de equilíbrio do negócio, logística adequada, conhecimento em gestão, gente treinada e vocacionada para empreender, escolha de culturas de elevada receita por hectare, verticalização e acesso a mercados são fatores fundamentais para o sucesso do negócio. Escolher culturas de elevada receita por área explorada é básico. A conta é simples. Comparar uma propriedade com 10 hectares de culturas de subsistência e receita de R$ 1.000,00/ha/ano com outra de mesma área de flores tropicais, é comparar o resultado líquido de menos de um salário mínimo por mês com um ganho líquido mensal de cerca de R$ 1.600,00, numa base conservadora. Isso faz grande diferença na renda familiar. Ervas medicinais podem aliar seu potencial de agregação de valor com o da verticalização. Diversificar a atividade do Lifal para produzir medicamentos fitoterápicos pode ser uma alternativa para alavancar uma parcela da agricultura familiar em nosso Estado com a garantia de compra da produção. Horticultura, apicultura, piscicultura, fruticultura orgânica irrigada e verticalizada, especiarias, ervas aromáticas, plantas ornamentais e flores são também culturas de elevado potencial de receita por área explorada. Cabe ao Estado e a instituições como Sebrae ou Associações Comerciais e Empresariais dos municípios a organização das cadeias produtivas e a viabilização do acesso a mercados. Para treinar pessoas o Senar está preparado. Para garimpar empreendedores rurais vocacionados exige-se muito mais esforço. Empreender no comércio, na indústria, nos serviços ou no campo demanda mais que treinamento e capital. Exige vocação. Apoiar os empreendedores da agricultura familiar realmente vocacionados e capacitados é negócio para Alagoas. Escolher culturas de elevado potencial de receita por área explorada adaptadas aos nossos micro-climas, profissionalizar a gestão agrícola e comercial, viabilizar o acesso a mercados, promover o associativismo e/ou cooperativismo sem descuidar dos demais fatores, garante o sucesso do pequeno agronegócio. (*) É Presidente da Associação Comercial de Maceió e Federalagoas.