Opinião
O horror nas ruas - Editorial
Algumas tragédias pessoais tem a propriedade de se transformarem em dores coletivas e, além do sofrimento, espalham preocupações e reflexões sobre a realidade na qual estamos inseridos. Este é o caso do seqüestro da garotinha Malu, de apenas três anos de idade. Seqüestros, infelizmente, não são novidade em Alagoas (nem em nenhum lugar do mundo, mesmo no chamado primeiro mundo). Mas uma coisa é a realização desse tipo de crime por parte de quadrilhas organizadas, ou por indivíduos isolados; nesse caso, o crime (hediondo) segue certas regras ? terríveis regras ? mas que proporcionam um mínimo de lógica e possibilidade de intervenção. Outra coisa foi o seqüestro ocorrido anteontem em Maceió. Insólito, o acontecido choca toda sociedade ao evidenciar a desumanidade dos integrantes do cirme organizado e ? principalmente ? a ousadia crescente desses meliantes em perpetrarem quaisquer tipos de crimes como se tivessem absoluta certeza da impunidade. Essa segurança, expressa na ausência de limites, do crime organizado é uma das coisas que mais aterroriza a sociedade. No caso da garotinha Malu, o rapto foi realizado em represália à reação do pai da menina a um assalto. Apenas vingança. Ao realizarem o seqüestro da garotinha, os bandidos sabiam que o pai dela era policial ? e talvez isso tenha estimulado a insolência dos bandidos, com certeza, ficou claro, mais uma vez, que os criminosos não temem a polícia. O drama pessoal vivido pela família de Malu é o drama coletivo vivido pela sociedade alagoana. A insegurança é total, com o perigo à espera dos inocentes à cada esquina, ou às portas das padarias, das farmácias, em todo lugar. Resta torcer e rezar para que Malu seja devolvida saudável. Todos torcem e rezam para que o poder público tenha condições de enfrentar situações deste tipo.