Opinião
Agricultura e energia
| Humberto Martins * Conseguindo os responsáveis pelas exportações brasileiras e os produtores uma modalidade que supere os descompassos entre os preços externos e os do mercado interno, reduzindo o risco de desabastecimento, a agricultura voltada para a produção de biodiesel, à exemplo do que acontece com o Próálcool, abre notáveis perspectivas para a economia, com ênfase para a geração de empregos. Aumentos e (ou) redução de preços, de acordo com o fluxo de exportações e importações, ocorrem com freqüência, principalmente depois do incremento das relações comerciais entre as diversas nações. Exemplos desse quadro são as flutuações nos preços das carnes bovina e de frango, no mercado interno brasileiro, quando surgem informações de doenças nos criatórios. Com a tendência da quase totalidade dos países de reduzir a poluição e adotar alternativas para os derivados do petróleo ? também pelos altos preços que o denominado ouro negro registra, nos últimos tempos ? é compreensível que o biodiesel, como já acontece com o álcool, atinja altos preços nas cotações internacionais. Alcançar uma fórmula que salvaguarde os interesses do consumidor interno, evitando o desabastecimento, é tarefa que se impõe e que exige dos que governam e dos produtores determinação e habilidade. Feito isso, estará aberto o caminho para um fortalecimento ainda maior da agricultura brasileira voltada para a produção de energéticos, pois nenhuma nação do mundo dispõe, como nós, de amplitude territorial e clima indispensáveis para essa empreitada de grande porte. Em Alagoas, o cultivo de mamona nas primeiras 45 unidades demonstrativas e uma série de outras medidas estão sendo adotadas, tendo como objetivo a consolidação do Programa do Biodiesel. Tanto é assim que os contratos de compra da matéria-prima (mamona) já estão sendo elaborados. Água Branca, Canapi, Palmeira dos Índios, Arapiraca, Maribondo, Ibateguara e Mar Vermelho estão cultivando a mamona, estimulados pela seleção inicial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. O Decreto nº 3.261, de junho de 2006, e um acordo de cooperação técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento Econômico (BID) abriram caminho para a fase atual. A existência de uma sementeira com certificação oficial facilita o trabalho dos agricultores para se consolidarem num ramo que para muitos deles é novo. Consolidado o programa do Biodiesel, essa cultura tem todas as condições para se multiplicar, transformando-se em fator de crescimento econômico e desenvolvimento, com ênfase à geração de empregos. (*) É ministro do STJ.