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| José Medeiros * Passadas as eleições recolhem-se as bandeiras coloridas dos candidatos, estrategicamente colocadas nos pontos mais movimentados das cidades. Os ?bandeireiros?, assim os identifico porque não encontro outro termo para definir esses jovens e adultos que, horas a fio, ao sol, à chuva e ao vento, empunham as bandeiras de candidatos, que, muitas vezes, nem conhecem. ?Bandeireiros? são o novo grupo de heróis do cotidiano; aproveitam esse emprego temporário, numa terra de tão poucas oportunidades de trabalho. Desemprego, primeiro emprego e educação foram assuntos longamente discutidos pelos presidenciáveis. Desemprego é um dos maiores problemas do País. Nas estatísticas oficiais o primeiro emprego de jovens pode ter dado algum resultado positivo; na prática, é problema que atormenta e maltrata famílias, preocupadas com o futuro dos filhos. Pessoas, com idade entre 18 a 24 anos, estão na faixa de 45% dos desempregados, segundo dados de pesquisa divulgada pelo Dieese. Faltam oportunidades para jovens no mercado de trabalho, com o agravante de que concorrem com outras pessoas mais experientes e originárias de outros setores de desempregados. O futuro vai chegando, as páginas do livro da vida se abrem de par em par; soluções adequadas e afirmativas para graves questões nacionais continuam em compasso de espera. Educação foi tema extremamente badalado na campanha presidencial; sendo reafirmado o empenho de garantir a qualidade de ensino em todos os níveis, da creche à universidade. Prometeram investimentos maciços na capacitação de professores e prioridade para os ensinos básicos, técnico e tecnológico. Um dos candidatos chegou a prometer piso salarial federal mínimo, para todas as categorias de professores. E como se tivesse uma varinha de condão, prometeu estabelecer, também, um ?piso de conteúdo?, que significa ?o saber mínimo que cada criança brasileira, de qualquer escola, deverá possuir sobre cada matéria, em cada série, independentemente de onde estude?. Num País em que o analfabetismo ganha foros de chaga social, uma afirmação como essa passa ao campo da pura ficção. O brasileiro tem, em média, apenas seis anos e meio de estudo. Para vencer essa e outras defasagens será necessário um pacto nacional pela educação, que envolva governos, empresariado e sociedade civil organizada. Somente assim, poderão ser ampliadas expectativas de uma real melhoria. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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