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Opinião

A trajet�ria da brutalidade

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| Marcionilo Neto * Numa recente manhã, observei um carroceiro fustigando seu cavalo. Este, além do peso da carroça e do condutor, ainda transportava um carregamento de pedras rachão, dessas utilizadas em alicerces nas construções. O sofrido animal andava com dificuldade, devido ao peso excessivo, mas o carroceiro não queria saber de nada; forçava o cavalo ao poder do chicote ou ?reio?, deixando-me em dúvida quem era o irracional. Não foi a primeira vez que testemunhei esse tipo de abuso. Será que o carroceiro gostaria de estar no lugar do animal, sendo exigido da mesma forma? Desconheço se existe legislação sobre os animais de carga, quanto ao limite do peso que podem carregar, sobre a alimentação e cuidados. Se não houver, é urgente que nossos representantes (vereadores ou até os deputados) observem isso e adotem providências. Também é comum o abandono de cavalos soltos nas proximidades de ruas asfaltadas, o que pode causar acidentes com perda de vidas. Na Avenida Fernandes Lima, noutra manhã, notei que dois gatos foram mortos por atropelamento, provavelmente por terem ficado ofuscados com os faróis dos veículos. Entretanto, alguns condutores não levam em conta o valor dessas vidas e não se esforçam para livrar gatos e cachorros do fatal acidente, causando a morte desses animais. Diante desses fatos, pergunto: quem é o falto de entendimento, de raciocínio? O bruto é o animal ou o ser humano? É a brutalidade humana em ação, a qual desconhece que, tanto o homem quanto o animal, têm direito à viver, pois, quanto à vida, ?nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais?, conforme vemos na bíblia sagrada (Eclesiastes 3:19). Os seres chamados irracionais têm uma inteligência relativa e sentimentos. Basta ver como se apegam, quando de estimação, aos seus donos, se bem tratados. E o que dizer dos animais que são submetidos as inúmeras experiências científicas em laboratórios? É para o bem da medicina e outras áreas, contudo, será que isso justifica o sofrimento das cobaias? Não podemos esquecer a caça e a pesca predatória, cujo objetivo não é a alimentação, mas o simples divertimento ou prática esportiva, como a caça à raposa na Inglaterra, um dos exercícios prediletos da realeza. Tal contribui para a extinção de muitas espécies. É necessário, portanto, maiores cuidados com os animais que, a rigor, não apresentam condições de se defender do seu maior predador: o homem. (*) É servidor público estadual.

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