Opinião
Horror enjaulado - Editorial
Novamente o presídio Baldomero Cavalcante é sacudido por uma rebelião de presos. Mais uma vez se evidencia os graves ? e até agora insolúveis ? problemas do sistema prisional brasileiro. Como todos sabem, esse não é um problema exclusivo de Alagoas ? nem mesmo aqui essa tragédia se manifesta com intensidade superior a outros Estados. O drama dos presídios é uma chaga aberta em todo Brasil. Certamente, esse gravíssimo problema não será resolvido de forma isolada, num único Estado, como tocado por uma varinha de condão. Não há mágica que resolva essa equação que reúne variáveis diversas como o excesso de presos, a corrupção (endêmica e epidêmica) do sistema, a inadequação do conjunto de leis vigentes, a burocracia, etc. Para se resolver uma problemática desta magnitude é necessária uma mudança profunda, em várias frentes, na abordagem desta questão. Há que se mudar leis, há que se combater de forma muito mais dura e eficiente a corrupção do sistema, desbaratar as quadrilhas internas, reduzir a burocracia. Tentar sanar uma única dessas chagas, de forma isolada, de nada adiantará ? o corpo continuará padecendo e fazendo padecer a sociedade em seu entorno. A cada rebelião, a sociedade vislumbra a ponta do iceberg e supõe ver ali uma quina de uma pedrinha de gelo. A gravidade da situação só é percebida quando advêm mortes, quando reféns inocentes são ameaçados e em momentos de puro terror cidadão como quando dos atentados terroristas do PCC no Estado de São Paulo. O atual sistema prisional brasileiro está virando um câncer. Cada cela é uma metástase social. A recuperação dos presos parece uma ilusão cada vez mais distante. Há muito que esta tragédia se agrava e se espalha, mas ainda há tempo de se tentar mudar o rumo das coisas. Basta decisão política.