Opinião
Governo novo, problemas velhos
| Marcos Davi Melo * Estas eleições que trouxeram a vitória inquestionável do senador Teotonio Vilela já no primeiro turno por larguíssima margem de votos, mesmo com condições estruturais inferiores, tem embutidas uma conotação ululantemente óbvia: o povo acreditou em sua proposta. E, a sua proposta é para mudanças na condução da coisa pública; o que levou Alagoas a esta situação calamitosa de rabeira nacional. Em suas primeiras entrevistas o governador eleito já se comprometeu a enterrar o sistema administrativo de ?células?. Vai partir com determinação, para o enxugamento da paquidérmica máquina pública caeté, que vampiresca, há tempos, sangra desatadamente o esquálido organismo alagoano. Incluiu a redução do acintoso duodécimo da Assembléia Legislativa, que consome dos sofridos cofres públicos mais de nove milhões de reais mensais. Isto é mais de cinco vezes o que os três maiores hospitais filantrópicos de Alagoas juntos (Açúcar, Sanatório e Santa Casa de Maceió), custam ao SUS para resolver a maioria dos problemas de saúde dos alagoanos pobres todo mês. É nove vezes mais do que a UE recebe para atender toda a emergência do Estado mensalmente. Handicap favorável: o governador se elegeu sem compromissos com a maioria dos deputados. Teotonio afirmou que vai priorizar a criação de empregos, ferida aberta em todo o País e ainda mais gangrenada entre nós. O bom senso diz que os empregos serão perseguidos na iniciativa privada, onde não oneram os cofres públicos, muito pelo contrário, contribuem para fortalecê-los. Governador resista à pressão dos que se acostumaram a usufruir do nosso paupérrimo Estado. Nem a Califórnia agüentaria esta sangria. É um hercúleo desafio, que já consumiu figuras consagradas da nossa política, mas que pode e precisa ser vencido. Para auxiliá-lo nesta árdua tarefa o governador tem a seu lado um vice dos mais qualificados. Wanderlei, liderança que agregou substância à chapa vitoriosa, têm a seu favor uma história de realizações e conquistas, concretizadas nas condições mais adversas: a oferta de medicina com qualidade internacional e alta dignidade para o SUS, em uma entidade filantrópica tradicional, mas num dos Estados mais pobres da Federação. Finalmente, Collor, eleito senador também em condições sobejamente desfavoráveis, tem uma segunda grande oportunidade. Poucos a têm. Que o seu referido amadurecimento contribua para dar a seus eleitores e a Alagoas um retorno que poderiam ter tido e ainda não tiveram. Todos ganharão. (*) É médico e professor da Uncisal.