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Opinião

Intrigantes vieses da pol�tica

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| Mário Jucá * Os alagoanos assistiram o que a ciência social estuda e de forma transparente chama de fenômenos sociais. Comte dizia: os fenômenos sociais só podem ser estudados em conjunto. Claro, não adianta falar que alagoas devolveu Collor à Brasília, alagoas soube reconhecer o direito do cidadão, que foi cassado por um grupo que hoje lambuza o cenário político, com um dos mais altos níveis de corrupção já conhecidos no País. O conjunto do fenômeno social pode ser entendido de forma mais transparente, quando se analisa: um presidente eleito no primeiro turno; um governador aqui da mesma forma; pessoas que não sabem avaliar os sentimentos humanos, seus silêncios e seus gritos calados, resultado segundo turno e fracasso-traição. A situação mostrava-se favorável aos derrotados, desfavorável aos vencedores, um fenômeno social, outras vezes observado pelos mais avisados. Os que não fazem leitura dos fatos e fenômenos vivem à deriva, sem perspectivas, na obscuridade e com imensa insatisfação. Como conseqüência do medo de assumir uma postura, para não sofrer retaliações ou até mesmo rejeições, muitos comprometem a legitimidade da interpretação. Gozam dos fatos, mas na verdade compreendem no íntimo que o estado de justiça se aflora. O enquadre cênico das eleições pode trazer mais visões, mais confirmações, constatações que estavam escondidas no tempo-espaço, pela malícia daqueles que se esgotam no poder e nele constroem suas missões e desejos. Lula já falou que Collor é um experiente, que pode contribuir com a Nação, antes de patrocinar o ?Golpe de 92? ele não falava isto, talvez pensasse. Com seu vernáculo chulo, não consegue sequer compreender um discurso que seu antigo adversário, agora aliado, fazia, como sempre rebuscado, com linguagem rica e erudita, mas também concisa e simples, objetiva, com pensamentos de fácil interpretação e idéias próprias e fortes determinações, que agrada o povo, embora muitas vezes tenha que ficar no silêncio obsequioso. Já o presidente Lula faz interpretações equivocadas e até agradece o insulto, depende da necessidade de forjar o óbvio. O imperador Fernando Henrique, que cresceu no meio acadêmico por suas idéias firmes nas ciências sociais, foi um fracasso como gestor, antes tivesse ficado como um teórico da política social, já que a prática foi um terror, e mais, hoje vislumbra à sombra do poder com seus asseclas, sem coragem de a mais nada se submeter, pois a imagem napoleônica pesa, preferindo ficar intocável. (*) É professor da Faculdade de Medicina.

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