Opinião
Desafio antigo - Editorial
A matéria sobre os efeitos dos problemas causados pela esquistossomose em Santana do Mundaú, que trouxemos na edição de domingo, não pode deixar de constar entre os documentos que serão apreciados para a definição das metas das novas administrações do Estado e da União, já a partir de janeiro. Ela mostra uma situação das mais preocupantes e merecedora de atenções urgentes não apenas específica desse município. Trata-se de uma endemia mais que secular, agravada nas últimas décadas nessa e demais povoações banhadas pelo Mundaú e por outros rios no território alagoano, como o Paraíba do Meio. A diferença é que o quadro em Santana do Mundaú tornou-se mais alarmante recentemente, com a notícia de alguns óbitos decorrentes de doenças causadas pelo parasita e da confirmação de uma enorme quantidade de pessoas infectadas. Os números dessa realidade podem ser motivo de surpresa entre as pessoas alheias em relação ao que acontece até mesmo à sua volta, como a não-continuidade das obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário na citada cidade, sob a alegação da falta de dinheiro. Que não tem faltado para outros fins em nada parecidos em benefícios para a população. Principalmente nos segmentos mais pobres. A conseqüência dessa ausência de prioridades consta de vários estudos. Inclusive, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que entre os anos de 2001 e 2004, só os investimentos em saneamento básico e habitação pelo governo federal tiveram uma queda de 59% na proporção de domicílios entre os 40% mais pobres do país com acesso a rede de esgoto ou fossa séptica. Como se essa redução não bastasse, os gastos realizados pelas prefeituras e os governos estaduais também decresceram na mesma proporção.