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Opinião

Gasparian

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| Eduardo Bomfim * Na sexta-feira passada, seis de outubro, faleceu o empresário Fernando Gasparian. A notícia da sua morte obteve discretas notícias nos jornalões da mídia nacional. As exceções foram os portais do campo progressista, como o Vermelho, Carta Maior etc. Gasparian foi um empresário nacionalista, defensor de um caminho ao desenvolvimento democrático e independente para o País. Não ficou no domínio das idéias, evitando, assim, os graves problemas que poderiam surgir com quem se metesse com a ditadura. Ao contrário, assumiu uma empreitada perigosa e de confronto com o regime truculento. Bancou financeiramente, em 1972, o semanário Opinião. Combativo, excelente nível jornalístico. Uma luz nas trevas, um bálsamo contra a brutalidade da censura. Havia exceções na grande imprensa de circulação nacional. O ?Estado de São Paulo?, conservador até hoje, faça-se justiça, reagiu aos ditames da violência contra a liberdade de informação. Publicava sonetos de Camões, preenchendo as lacunas deixadas pelas implacáveis tesouras dos censores. O ?Correio da Manhã? do Rio de Janeiro foi abatido por asfixia econômica, em 1970. Outro, paulista, dócil e colaborador com a ditadura, emprestou suas ?Veraneios? de distribuição aos órgãos de repressão do governo. Esse, atualmente considera-se a própria liberdade de informação, democracia, ética e moralidade, principalmente em implacável combate ao governo Lula. Era o órgão do regime tenebroso. Uns se portaram com dignidade e outros subservientes, cúmplices do arbítrio. Nesse espaço de obscurantismo e terror contra os jornais e jornalistas que resistiam como podiam, o ?Opinião? foi uma valiosa fonte de informação e resistência do povo brasileiro, aos combatentes pela liberdade. O seu editor foi Raimundo Rodrigues Pereira. Excelente jornalista, com passagem em vários órgãos da grande imprensa. Com o ?Pasquim?, ?Opinião? chegou a bater recordes de venda nacional. No começo de 1977, o jornal foi morto a pauladas pela censura. Em seu lugar nasceu o ?Movimento?, com o mesmo editor. Abraçado pelos resistentes com o idêntico entusiasmo. Tive o privilégio de ser Constituinte com Gasparian. Manteve a sua coerência. A luta possui um contínuo histórico. A próxima página será virada em 29 de outubro. A época é distinta, mas os conservadores jogam o mesmo jogo. (*) É advogado.

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