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Opinião

Lacerda: o retorno

| André Falcão de Melo * Nunca assisti a um debate assim. Não assim tipo deitado, sentado em casa ou numa mesa de bar. Digo assim agressivo, desrespeitoso, arrogante até. Não fui contemporâneo de Lacerda. Quando a UDN (União Democrática Nacional) foi ex

Por | Edição do dia 14/10/2006 - Matéria atualizada em 14/10/2006 às 00h00

| André Falcão de Melo * Nunca assisti a um debate assim. Não assim tipo deitado, sentado em casa ou numa mesa de bar. Digo assim agressivo, desrespeitoso, arrogante até. Não fui contemporâneo de Lacerda. Quando a UDN (União Democrática Nacional) foi extinta, pelo AI n° 2, não contava mais de um ano de vida. Porém, ao assistir ao candidato pessedebista, no debate da Bandeirantes de 08/10 próximo passado, imediatamente associei-o àquele. Não ao magnetismo do finado jornalista, mas à agressividade de seus discursos. Ali concluí o quanto é injusta a alcunha que lhe puseram: picolé de chuchu. Depois daquilo, de picolé se cuidasse, de chuchu não seria. Talvez de pimenta malagueta. Ou de urtiga. Mas não de algo inofensivo como chuchu. Foi uma briga. E, ao outro, a obrigação de se defender. À altura. O fato é que propostas concretas para governar o país, se eleito, hummm, necas de pitibiriba. Tampouco foram por ele indagadas, ao candidato a quem é oposição. Nada. A tecla era uma só: o discurso moralista raivoso, bem aos moldes udenistas (hodiernamente herdado por seu partido e por seu principal aliado). A responsabilidade pelo tal dossiê de São Paulo (pois não é que o PT tanto fez que conseguiu levar seu candidato ao 2° turno?) e a origem do dinheiro que seria utilizado em sua compra eram compulsiva e ofensivamente indagadas ao Presidente, mesmo até agora não havendo nada objetivamente concreto que o vincule ao engenho da pasta. Sequer a lógica. Pode haver; por enquanto é “achismo”. A velha cantilena: “ele sabia”, “ele não sabia”. Ora, o homem não é letrado. Mas burro, seria? Não se conseguiu, pois, saber muitas coisas do candidato do PSDB/PFL. Por exemplo, onde e como pretende cortar gastos (fala muito nisto). Afinal, já no manifesto de fundação de seu partido, de 1988, defendia-se o rompimento com o caráter nacionalista do Estado brasileiro e o seu afastamento das relações econômicas e trabalhistas (receituário neoliberal). Nesse diapasão, o governo de FHC, líder maior de seu partido, privatizou mais de 75% das estatais brasileiras, vendendo-as por vários bilhões de dólares, prática, entretanto, contestada por parcela significativa da população do país. Logo, natural a curiosidade, inclusive porque é o próprio ex-presidente que defende a retomada desse processo. Mas..., um alento. Após a pendenga, o candidato Alckmin justificou a ira: “Acho que externei um sentimento de indignação do povo brasileiro!” Ah, tá! (*) É advogado.

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