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Opinião

Problemas eternos

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| Anilda Leão * Nunca tive vontade de ocupar uma cadeira na Assembléia ou na Câmara de Vereadores, apesar de que a saudosa companheira de luta, Selma Bandeira tivesse me instigado para esse objetivo. Preferi fazer alguma coisa em prol da minha terra e da minha gente aqui mesmo, através dos meus escritos. Contento-me em apontar os erros, gritar a minha indignação diante de tanto político corrupto que pensa mais em si do que na sua própria terra, ainda tão cheia de problemas e de homens que prometem aos eleitores e depois falham covardemente. Desde menina que eu ouvia meu pai falar em duas calamidades a assolar Alagoas e o Nordeste de modo geral: o cangaço, com Lampião e seu asseclas. E o problema da seca no Sertão. Lampião, esse foi morto junto com seus companheiros, e ainda os degolaram, trazendo suas cabeças como troféus. Para esse ?ato heróico?, essa carnificina igual ou pior do que a que os cangaceiros praticavam pelo sertão nordestino, eles foram eficientes até demais. E a seca? Todos nós sabemos que não é difícil acabar com o problema cruel do nordestino. Temos aí o nosso imenso São Francisco com um mundão de água para todos os lados e os maiores mananciais subterrâneos do país. Os governos, os políticos, porém, parecem não querer resolver nada, pois muitos ainda fazem da miséria dessa gente uma indústria de votos e de benesses para eles próprios. Contra isso me bato exatamente como o meu pai faria se ainda estivesse aqui conosco. Não quero outras tribunas enquanto eu tiver um cantinho de jornal para escrever; é daqui que eu faço o meu púlpito, para delatar, gritar e acusar sempre que for preciso. Ainda mesmo sob o risco de ser processada mais uma vez. Para onde marcha o Brasil? Qual a razão da crise brasileira? Como podemos identificar a política no Brasil? Conchavos? Maracutaias? Ladroeiras? É necessário formar políticos, colocá-los, antes de mais nada, em escolas para ensinar-lhes Moral e Civismo. Isso é o que está faltando. Nenhum momento é mais apropriado para iniciarmos uma campanha de moralização e redenção do nosso país do que este que estamos vivenciando. Razão tinha Rui Barbosa quando afirmou: ?Os nossos homens públicos estão habituados a esquecer-se totalmente desta terra, da sua inteligência, da sua consciência, da sua alma?. (*) É escritora.

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