Opinião
Sobre a moradia - Editorial
É preocupante a informação, que publicamos domingo último, sobre a insuficiência de recursos destinados este ano ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR), criado em 1999, para a construção de moradias com financiamento pela Caixa Econômica Federal que beneficia a população de baixa renda. Mas deve servir como motivo para os próximos governos federal e estaduais incluírem a realização do velho sonho da casa própria, acalentado por expressiva parcela da população, no rol de seus projetos executáveis e urgentes. Como informamos, o PAR é direcionado à população de renda familiar bruta de até seis salários mínimos ou até oito salários, no caso dos servidores da área de segurança pública. Os recursos são da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e desde a sua criação aplicou R$ 5,6 bilhões. Ele garante a propriedade do imóvel no fim de 15 anos de pagamento regular de uma taxa de arrendamento. O governo federal estima que haja um déficit de moradias novas no País de 7,2 milhões de unidades e 84% disso está concentrado entre as famílias com renda de até três salários mínimos mensais. E o Brasil aparece num estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado no ano passado, com 33,9 milhões de pessoas sem casa. Cerca de 51 milhões de pessoas vivendo em habitações consideradas precárias ? sem saneamento, água potável, título de propriedade ou coleta do lixo. Segundo ainda a ONU, o País só perde para a China e para a Índia em número de pessoas nesta situação. Está posicionado entre os piores em matéria de habitação na América do Sul, junto ao Peru. Há muito o que fazer, portanto, nessa área em todo o território nacional. Principalmente em relação às famílias que vivem em situações das mais deploráveis nas periferias das cidades e povoações rurais, sem renda sequer para a alimentação básica.