Opinião
Amadurecimento democr�tico
| Humberto Martins * Pouco mais de 100 milhões de brasileiros participaram no dia primeiro deste mês de outubro das eleições para escolha do Presidente e vice da República, dos governadores e vices de Estado, de um terço dos senadores e dos deputados federais e estaduais. A abstenção ficou em patamares considerados baixos, idem os votos nulos e em branco, o que revela que os eleitores não se deixaram abater por freqüentes episódios negativos, narrados em grande escala pelos veículos de comunicação, envolvendo políticos. Procuraram, isto sim, através do voto, selecionar aqueles que têm a missão de governar ou de representar o povo nas casas do Congresso e assembléias legislativas. Em todo este enorme País de dimensões continentais, não houve nenhum episódio extremado de violência, o que revela um admirável amadurecimento político. Confirma-se assim, mais uma vez, que só se aprende democracia praticando, pois há apenas 17 anos, em 1989, completou-se plenamente o ciclo de restauração das instituições democráticas ? após o período de governos militares ? com a realização do pleito direto para a Presidência da República. Não apenas as instituições ? Executivo, Legislativo e Judiciário ? através de seus diversos segmentos, participam permanente do trabalho para apurar e punir os ilícitos tão denunciados de uns tempos para cá. O povo faz também sua parte, comparecendo em massa às urnas, o que no Brasil, além de um direito, é também um dever. É igualmente digno de registro o desempenho altamente profissional da Justiça Eleitoral, do Exército, da Polícia Federal e das polícias estaduais que desempenharam no pleito de 1º de outubro passado um papel de importância. Observação interessante aos que estão atentos aos fenômenos da moderna comunicação é que as notícias e análises divulgadas em grande escala não influenciaram na escolha do voto, como alguns temiam. Em cada região do País registraram-se distintas preferências para os dois candidatos principais à Presidência, independente também da prevalência dessa ou daquela força partidária local ou regional. Tudo sugere que no segundo turno do pleito para escolha do presidente e vice da República e dos governadores e vices dos Estados que não foram consagrados no primeiro turno ? no próximo dia 29 do corrente mês de outubro ? o clima de liberdade e ordem, novamente, prevalecerá. Que os ungidos pela preferência popular correspondam às expectativas da opinião pública, contribuindo assim para o progressivo aperfeiçoamento das instituições. (*) É ministro do STJ.