loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Dom Luciano Mendes

Ouvir
Compartilhar

| Dom Fernando Iório * Desabou a majestosa árvore na floresta densa. Mas, desabou para viver em outra forma, como a madeira que, retirada das matas, vai servir aos seres humanos. Nada mais importante, como uma presença viva que nos anima, que nos incentiva em busca do bem; presença de um ausente físico a crescer na medida em que o tempo faz ressaltar o valor de sua passagem entre nós. Assim foi a vida, dentro da CNBB, desse servidor de Cristo, da Igreja e do povo: dom Luciano Mendes de Almeida. De tradicional família católica do Rio, veio ao mundo nos idos de 1930. Filho da Companhia de Jesus, ordenou-se sacerdote, em 1958. Homem de sólida base filosófica, teológica e humanística, doutorou-se em Filosofia, na Universidade Gregoriana de Roma. Chamado ao Episcopado, foi, por vários anos, auxiliar do Cardeal Arns, sendo eleito, em 1988, Arcebispo de Mariana, onde In nomine Jesu (em nome de Jesus), seu lema episcopal, se doou, de todo, por 18 anos e três meses, até a morte, à construção do Reino de Deus. Quem com ele conviveu na CNBB tinha a clara impressão de encontrar-se diante de um místico em ação, no meio de seus irmãos bispos. Por 16 anos esteve à frente da CNBB ? 8 anos como secretário e outros 8, como presidente, sendo aquele incansável promotor da unidade do Episcopado e persistente animador da renovação pastoral da Igreja. Era homem de diálogo. Quando nós nos encontrávamos nos corredores da Casa de Itaici, sempre se parava e perguntava: ? Vai cantar, dessa vez, Meu Bem-Querer? É que, certa feita, interpretei, num fim de missa, uma de minhas composições em homenagem ao Cristo Eucarístico: Meu Bem-Querer. Fomentava o diálogo, buscando o entendimento entre posições quase inconciliáveis, pelo respeito às diferenças. Sabia articular, em síntese, as mais variadas propostas e sugestões. Sua presença foi marcante durante o regime militar, conduzindo debates com o governo sobre temas relevantes, como a Reforma Agrária e Urbana, a Política Social. Como Presidente da CNBB acompanhou o Debate Constitucional de 1988. Foi constante seu empenho em colocar na prática alguns pontos essenciais do Concílio Vaticano 2, bem assim as orientações das Assembléias de Puebla (1979) e Santo Domingo (1992), das quais participou com elevado destaque. Ultimamente, quando regressava de Itaici, privei de sua amável companhia. Ele sempre alegre, atendendo, quase sem interrupção, seu telefone celular, marcando encontros e palestras. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

Relacionadas