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Opinião

O caos da sa�de se aprofunda

| Mario Jucá * Apesar dos dados entusiásticos, que o governo propaga, Alagoas vive um caos em termos de saúde. Não existe o mínimo de respeito à população. No Estado, a falta de medicação tem deixado os médicos, que lidam com medicação dispensada na farm

Por | Edição do dia 18/10/2006 - Matéria atualizada em 18/10/2006 às 00h00

| Mario Jucá * Apesar dos dados entusiásticos, que o governo propaga, Alagoas vive um caos em termos de saúde. Não existe o mínimo de respeito à população. No Estado, a falta de medicação tem deixado os médicos, que lidam com medicação dispensada na farmácia de medicações excepcionais, em profundo estresse. Não adianta prescrever que a resposta é sempre a mesma: “Não tem, nem vai chegar”. E o paciente suplicando, algumas vezes, é atendido com amostras grátis, levadas por alguns representantes farmacêuticos, que doam algumas poucas, frente a grande demanda. Quanto ao atendimento de pacientes com afecções cirúrgicas, um fracasso absoluto. O médico atende, faz o diagnóstico, pede os exames e não faz nada mais para resolver, o que no caso seria a cirurgia. Como exemplo: uma mulher com mioma e grandes sangramentos no período menstrual, com anemia por perdas. Não encontra onde operar. Os hospitais pequenos não recebem, porque não compensava o faturamento e os grandes agora fecharam as portas por atraso no pagamento. Então, o médico fica exposto no atendimento, porque depois dos exames estarem todos prontos, a grande expectativa do paciente de ficar curado, vem o banho de gelo, não tenho onde internar. E agora? O Hospital Universitário passando uma crise enorme de materiais, com falta até de gazes, e com outras prioridades; a Santa Casa, o Hospital do Açúcar e o Sanatório não recebem mais até o pagamento dos atrasados. E como fica a população? Jogada às tralhas. Não se respeita o cidadão. Que fazer? Nada, porque a prioridade não é saúde, mas obras, obras... Por que será? E quando a esse grave problema alia-se uma má gestão, diga que a coisa “entornou de vez”, como dizem os miseráveis. Vêm de longe com o sonho de curar-se para poder trabalhar e conseguir o sustento, não são respeitados. Acredito que o interessante seria ter coragem e parar de atender até a situação se regularizar, porque o médico fica muito exposto, sustentando na ponta do sistema o ônus de negar a solução do problema. No pronto-socorro o caos ainda é maior, uma falta de entendimento entre a gestão e a Uncisal faz com que as obras do José Carneiro fiquem indefinidas e as coisas andem a passos de tartaruga, os corredores verdadeiras enfermarias e o chão são os leitos indignos, mas os que restam. A mortalidade infantil acabou; a saúde dá cobertura vacinal completa; os postos de saúde são equipados de tudo. É o sonho de Alice, crime de propaganda enganosa. Gente isto é desumano! Precisa que se dê um basta urgente. Alagoas precisa respeitar o seu povo. Vivo há dez completos anos falando aqui sobre os mesmos problemas e os cínicos, bandidos e maus caráteres me chamando de polêmico e sonhador. Polêmico é ver a realidade e não aceitar o desrespeito dos excluídos. É sensibilizar-se pelo desespero alheio. (*) É professor de Medicina da Ufal.

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