Opinião
Dia do cirurgi�o-dentista
| Carlos de Meneses * Dia 25 de outubro, comemora-se o Dia do Cirurgião-Dentista brasileiro, em função da criação do 1º Curso de Odontologia, no Rio de Janeiro, através do Decreto nº 9.311, de 25 de outubro de 1884, assinado pelo imperador Felipe Franco de Sá. A profissão nasceu muito artesanal, baseada em conhecimentos empíricos. O dentista era tido como uma figura sanguinolenta, um verdadeiro tira-dentes. Trabalhava com instrumentos produzidos manualmente, como verdadeiros artesãos, e usavam da imaginação para atender os seus pacientes. Não tinha conhecimentos científicos, improvisavam cadeiras de barbeiro, saíam a pé ou a cavalo para fazer o atendimento domiciliar, com um único objetivo a cumprir: sanar a dor do paciente através da extração dentária. A ciência foi evoluindo. Foram surgindo os cursos de Odontologia e Medicina do Brasil. Novos estudos, novas técnicas e novos instrumentos manuais foram chegando ao País. A Odontologia no País teve influência de duas escolas: a norte-americana e a européia. A americana se baseava no aprimoramento técnico-científico da profissão. A européia se baseava no ser humano como um todo. Passamos da fase empírica para a fase científica, a uma nova Odontologia baseada em conhecimentos técnico-cientificos, de responsabilidade, ética profissional e social. A Odontologia praticada no Brasil hoje é, sem sobras de dúvida, a mais criativa, a de maior habilidade manual, a mais técnica e de melhores profissionais que existe no mundo. Uma das causas da crise entre os dentistas brasileiros e portugueses foi devido a grande habilidade técnica e o jeito brasileiro de tratar seus pacientes, gerando com isso um grande ciúme dos colegas portugueses, onde os pacientes dão preferência ao atendimento dos brasileiros. A Odontologia evoluiu em recursos técnicos (equipamento de última geração, laser, implantes, novos materiais, novas técnicas, etc), fazendo aumentar os custos do atendimento odontológico, afastando dos consultórios quase 95% da população, onde mais de 120 milhões de habitantes se utilizam dos serviços odontológicos do SUS. Passamos por um momento diferente em nossa sociedade. Em passado recente, os profissionais viviam com as agendas superlotadas de pacientes em seus consultórios, hoje a realidade é outra. Temos que nos adaptar a esse novo momento de dificuldade financeiras, com muita criatividade, mas com muita dignidade e ética, tentando melhorar o nível de saúde bucal da população. (*) É presidente do CRO-AL.