Opinião
Novos tempos modernos
| David Gomes de Souza * Berço do sindicalismo, da indústria automobilística brasileira e do pólo petroquímico, a região do ABC paulista tem passado, nos últimos tempos, por um processo de mudanças com a migração parcial das montadoras para outras regiões e Estados e a incorporação de novas empresas e tecnologias, como as que agregam a promissora cadeia produtiva do plástico. O recente episódio da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, ilustra bem a nova realidade. A saída encontrada pela montadora e o sindicato da categoria ? um programa de demissão voluntária de 3.600 funcionários ? está longe de um final feliz. Na verdade, a decisão se junta ao quadro de crises que o setor tem enfrentado no País, a exemplo do ocorrido nas décadas de 1980 e 1990 com o segmento de autopeças. O fato só reforça a idéia de que a atividade econômica do Grande ABC, antes focada na fabricação de carros e seus acessórios, ganha contornos maiores. Poder público, iniciativa privada, sindicatos, associações, universidades e as mais diversas entidades procuram, cada vez mais, aproveitar as potencialidades econômicas que se abrem na região. Uma alternativa que começa a ganhar força é o incentivo à cadeia produtiva do plástico. Motivos para intensificar essa ação não faltam. O ABC paulista é o terceiro maior mercado consumidor de plástico do País, tem mais de 600 empresas transformadoras (produtoras de peças e embalagens, que formam a terceira geração da cadeia), é responsável por 16 mil empregos diretos e conta com uma grande refinaria da Petrobras ? a Refinaria de Capuava. Outros fatores chamam a atenção para a importância da cadeia. Um deles é a criação do Centro de Informação e Apoio à Tecnologia do Plástico (CIAP), que fornece apoio tecnológico às pequenas e médias empresas do ramo. E as administrações municipais têm promovido ações específicas, como a formatação e o fortalecimento de um Arranjo Produtivo Local (APL). Há ainda o Pólo Petroquímico do Grande ABC, o primeiro do País, onde se encontram as principais empresas do segmento plástico, representadas pela primeira e segunda geração (indústrias de resinas termoplásticas). O pólo passa, atualmente, por um forte processo de expansão, com investimentos da ordem de US$ 175 milhões na ampliação da Petroquímica União (PQU). Isso deve gerar cerca de três mil empregos durante as obras e até 14 mil novos postos de trabalho, em caso de a região conseguir atrair mais indústrias de transformação de plásticos. (*) É advogado.