loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O lucro da Casal � a vida

Ouvir
Compartilhar

| Conceição Freire * Já estive em fase de mais leitura. Atualmente tenho lido menos por falta de tempo, mas procuro reservar um espaço para ler alguns jornais diariamente. Procuro ler pelo menos um do Estado e outro nacional, e sempre me chama a atenção o fato da discussão que se trava sobre a Casal, o que não é novidade para mim, enquanto funcionária da empresa e dirigente sindical, e é aí que sempre tenho a oportunidade de ler declarações de figuras das mais diversas. Recentemente li opiniões sobre a privatização, municipalização e até divisão da Casal em duas, uma para operacionalizar e outra para manter o sistema de tratamento de esgoto. É como se a Casal fosse um grande garrote, pronto para o abate. Pode-se aproveitar tudo: pele, ossos, vísceras, coração, passando pelos músculos e carnes, sejam elas duras ou macias. Muita gente fala da Casal, mas poucos tomam atitudes visando sua recuperação, especialmente alguns políticos que, apesar de falarem mal, sabem que é com a água da empresa que a maioria do povo alagoano vive. Existem muitos consultores de notório saber técnico que vêem na divisão da empresa, um nicho de mercado a ser explorado, e quem sabe vender seus projetos encalhados. A Casal pode ser dividida em pelo menos cinco: a lucrativa bacia do Pratagy, Catolé, algumas poucas cidades com mananciais próprios, a adutora do agreste e as adutoras da bacia leiteira e do Sertão, que jamais se tornarão superavitárias, por terem alto custo na produção de sua água, por algumas razões peculiares, dentre elas o alto consumo energético e por outros problemas que, se falássemos aqui, talvez alguns fazendeiros da região não gostassem muito. A verdade é que a Casal, e os técnicos conseqüentes sabem disso, aumenta seu passivo na mesma proporção que aumenta sua produção. Desnecessário se torna enfatizar que várias diretorias e governos que passaram pela empresa ? não foram todos, apenas utilizaram a mesma para benefício próprio. Portanto, o governo estadual e os governos municipais devem entender que, para garantir uma melhor qualidade de vida aos cidadãos, se deve integrar, estrategicamente, a política de saneamento com a política de saúde pública, urbana, de recursos hídricos e de meio ambiente, de forma a enfrentar a perversa relação entre degradação ambiental e pobreza urbana. Todos devem saber que a maioria das empresas de água e saneamento do Brasil passa por problemas, por falta de vontade política. A Casal é a única grande empresa de capital estatal de Alagoas, tem uma importância social muito grande para o Estado, e é preciso que tenhamos consciência disso. Devemos defender a manutenção da Casal como empresa pública, mantida em nível estadual, e preservada como fomentadora de uma política pública de saneamento de caráter social. (*) É diretora do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas.

Relacionadas