Opinião
Imobilismo � vista - Editorial
Enquanto aumenta a temperatura nos debates entre os candidatos à temporada 2007-2010 no Planato, seguem gelados os números da economia ? cujo modelo é o mesmo defendido pelos dois disputantes neste segundo turno. Modelito desenhado pela equipe de FHC, foi por este usado dia e noite durante oito anos; e em seguida, igualmente seguiu sendo a única peça do vestuário econômico nesses quatro anos de Lula. Pois este figurino, baseado na ortodoxia do FMI e assemelhados, continua dando excepcionais lucros para o sistema financeiro, ao mesmo tempo em que atravanca o desenvolvimento como um todo. Os resultados são simples de verificar, nem precisa-se apelar para dossiês da madrugada. Segundo os números amplamente divulgados pela grande mídia, dentre 19 países estudados pela Austin Rating (usando dados do FMI, da Cepal e do Banco Central), se em 2006 o Brasil crescer 3% como previsto, apenas o Haiti terá uma alta menor do PIB, de 2,3%. Em tal estudo, o Brasil deve empatar com o Equador, que também crescerá 3%, e ficará atrás de países como Paraguai (3,5%), El Salvador (3,5%), Costa Rica (3,7%) e Bolívia (4,1%). Um vexame! Que os números finais não sejam exatamente esses, mas dificilmente quaisquer estudos poderão identificar algum crescimento significativo, e ? certamente ? deverá se confirmar a previsão de distanciamento dos números alcançados pelo nosso País em relação a nações como Argentina, Venezuela, Peru, Panamá, República Dominicana, Chile e Colômbia ? que estão situadas numa zona de previsão de crescimento anual que varia entre 8% e 5%. Infelizmente, emperrado economicamente e flagelado socialmente, o Brasil vai para o segundo turno da eleição presidencial sem alternativas distintas para a Economia. Tucano ou estrela, o que sairá das urnas se anuncia como uma mesmice imobilizante.