Opinião
In�rcia e turismo - Editorial
Nem só de aeroportos modernos vive o turismo. Também não se sobrevive apenas das belezas naturais que estão à vista. Quando se diz que um determinado local fatura alto neste segmento, sempre o faz quando consegue articular e resolver uma série de questões ligadas a esta atividade econômica. Não basta aeroporto, não bastam belas praias. É necessário mais, precisam-se de ações múltiplas e articuladas entre a iniciativa privada e o poder público. Sem isso, nada feito. E o que está sendo feito - de comum acordo - em termos de projetos reais para Alagoas recuperar o tempo perdido neste segmento? Aí estão o aeroporto e o centro de convenções - ambos novinhos em folha, ambos (aparentemente) subutilizados. Tudo que possa atrair a visitação e tudo que possa estimular o turista a ficar (pelo menos) um dia a mais faz parte da lista de prioridades para qualquer pólo de atração turística. Até cemitérios. Já ouviram falar do Páre Lachese? Pois o campo santo de Paris é um dos pontos de grande visitação na Cidade-Luz. E, há três anos, o Vaticano investe dinheiro e trabalho na restauração de um antigo cemitério romano (pagão) acidentalmente descoberto num trecho do subsolo da capital do Mundo Católico. Na China, hoje, em plena Pequim, foi interrompido o ritmo alucinante das construções para a Olimpíada de 2008, por conta da descoberta de outro cemitério da época da dinastia Ming (os trabalhos, agora, são de pesquisa e recuperação do sítio histórico). Pois é: até cemitério é objeto de interesse e investimento turístico. Em Alagoas, vicejante de praias fantásticas, lagoas paradisíacas, invejável patrimônio histórico e cultural... no que mesmo estamos investindo, hoje, para alavancar o turismo? Aeroporto moderno, centro de convenções de Primeiro Mundo... para quê? Infelizmente, parece que os projetos mais ousados foram enterrados em cova rasa.