Opinião
T�neis cotidianos - Editorial
Mais túneis foram descobertos no presídio Baldomero Cavalcanti - felizmente, desta vez, foram localizados antes de serem utilizados. Talvez o túnel seja uma das mais antigas opções usadas em tentativas de fugas de cadeias. Nos tempos antigos, presídios eram assentados em rochas ou isolados em pequenas ilhas para evitar essa recorrente tentativa de evasão. Nos tempos modernos, túneis sem fim povoam as histórias reais e imaginárias de fuga. Filmes antológicos como ?Fugindo do Inferno? garantiram sucesso de bilheteria e desencadearam fortes emoções nas platéias através das peripécias da engenharia dos caminhos subterrâneos. Túneis, pelo menos em Alagoas, seguem sendo feitos com impressionante facilidade. Como se evitar essa recorrência? Num dia desses, numa de suas entrevistas, o incansável Dr. Ib Gatto Falcão - que planejou de tudo para o bem de Alagoas, inclusive presídios - lembrou que uma de suas propostas para dificultar as (inevitáveis) tentativas de fuga foi a de construir presídios sobre pilotis. Simples e prático! Por que não se tenta idéias como estas quando se investe em cadeias de maior nível de segurança? Com muito menos do que se gastou em presídios como o Baldomero Cavalcanti, a elementar edificação de um prédio sobre pilotis (obra singela de engenharia, usualmente praticada em edifícios residenciais ou comerciais) teria a vantagem de eliminar essa persistente rota de fuga. Porém, motivos insondáveis dificultam a execução de propostas simples e econômicas. E na construção de cadeias apresentadas como de ?máxima segurança?, se enterram fortunas (pagas pelos cofres públicos) para depois se descobrir que - usando colheres de mesa e outros apetrechos improvisados - é muito fácil se cavar túneis com cerca de 40 metros de extensão. Túneis pelos quais se esvai a paz da sociedade.