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A dif�cil hora da partida

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| Eliana Custódio * Às vezes na vida não dá pra deixar de ser redundante. Como por exemplo, quando alguém muito querido parte. Alguém que trouxe significado à nossa vida. Ser redundante nesses casos é ser essencialmente humano. Pois quantas vezes na correria da vida nos falta humanidade. Humanidade para reconhecer o outro no ambiente de trabalho, para enxergar o que é essencial e o que é retoque, brilho falso, ego inflado. Para relembrar o convívio profissional com Rosivan Vanderley, não posso deixar de ser redundante, pois se tinha algo que não lhe faltava era humanidade. Humanidade para acolher as centenas de pessoas que batiam à sua sala quando foi secretário de Comunicação no governo Moacir Andrade. Artistas populares, todos à espera de uma oportunidade, de um apoio para lançar um livro, publicar um cordel, gravar um disco. Com a paciência que lhe era característica e o jeito bonachão, atendia a todos que lá chegavam. Não importava se o horário do expediente já havia acabado. Ele de lá só saía quando dava encaminhamento ao último pedido do dia. Sua gestão foi a que mais apoiou a cultura popular no Estado. Foram centenas de discos, cordéis e livros publicados. Presenciei vários desses contatos de artistas populares com o Rosivan e em todos eles via o entusiasmo, o brilho em seus olhos e a alegria em seu semblante, ao valorizar um texto, uma rima, uma nota musical da terra. E ele repetia: ?veja quanta coisa de valor, é preciso incentivar esses autores?. Mas por que tão cedo? Não pude deixar de questionar. É como se o imponderável nos assustasse sempre. Mas o que há de imponderável na morte se ela é tão presente na vida de todo ser vivo? Para mim, ela sempre será imponderável pela extensão da dor que provoca, do vazio que nos consome, pela sensação de impotência que nos atinge. Trabalhar com Rosivan Vanderley, logo depois de recém-formada em jornalismo, foi um privilégio para mim. Ele chegava na Secretaria de Comunicação invariavelmente com uma pasta cheia de papéis, um jornal debaixo do braço e um sorriso nada econômico para os que dele se aproximavam. Essa lembrança ficará em minha mente e em meu coração para sempre. E também para sempre lhe serei grata pela paciência e pelas orientações no início da vida profissional. Ao abraçar sua esposa Hildegard na difícil hora da partida, não tive muito a dizer, a não ser tentar confortá-la e agradecer por eles terem participado de minha vida e pelo exemplo que para mim fica de Rosivan Vanderley, uma pessoa que além de talentosa, foi extremamente humana. (*) É jornalista profissional.

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