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Para que servem as elei��es

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| Marcos Davi Melo * Quem trabalha dois horários diariamente para viver, tem filhos que estão chegando ao mercado de trabalho, vê a cada dia a situação social se deteriorar mais e mais, pela violência, pelo desemprego e pela falta de perspectiva para uma grande parcela de jovens se encaixar no mercado, não pode deixar de refletir que o seu voto neste fim de semana poderá influenciar o que vai ocorrer no País no futuro próximo e distante. Aqui, resolvida a eleição, Teotônio, o governador eleito, mostra bom senso, humildade e não só consulta, mas tenta trazer experiências bem-sucedidas em outras plagas. Já estabeleceu que vai priorizar a busca de empregos e a segurança pública. Quer ainda ter um embaixador especial, plenipotenciário, trabalhando no Brasil e no mundo para trazer investimentos para nossa desprezada terra. Já as eleições para presidente, deixam frustrações nos eleitores que se posicionaram mais eqüidistantes das paixões da ideologia, das vinculações partidárias e dos interesses pessoais por cargos. Eleitores que tentaram acompanhar o processo de forma a mais desapaixonada e isenta possível. Embora o nível dos debates tenha melhorado com o transcorrer do processo eleitoral e se sublimando a questão da maltratada ética, questões essenciais para o desenvolvimento do País foram desdenhadas: a Previdência Social e seu déficit gigantesco; as estatais como reduto de privilégios, aposentadorias fajutas, precoces, e cabides de empregos dos poderosos de plantão: os impostos que necessariamente serão mantidos altos para suprir a obesidade do Estado e a inevitabilidade dos juros estratosféricos como balizador neste processo. Em um País com tantos problemas na saúde, educação, segurança e crescimento pífio para cobrir as necessidades básicas, é indispensável se fazer uma melhoria nos gastos públicos. Uma questão fundamental e abordada indevidamente foi a privatização e o tamanho do Estado. Além do peso de Legislativo, do Judiciário e do Executivo, não há como reduzir o estatismo em educação, em segurança, em saneamento. Mas há como privatizar várias outras áreas, como na produção, exemplo a Vale do Rio Doce e na saúde, principalmente no setor hospitalar, onde se conseguem melhores resultados com custos menores, para citar só dois exemplos. O discurso pseudo-ideológico impediu mais uma vez que se debatessem com profundidade as nossas principais mazelas e suas soluções. (*) É médico e professor da Uncisal.

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