Opinião
As urnas e o amanh� - Editorial
República sempre atormentada, o Brasil já teve como presidentes 26 civis e 15 militares - uns eleitos, outros impostos, alguns depostos. Hoje, em mais uma eleição democrática, temos outra oportunidade de, através do voto, dizermos o que queremos, o que sonhamos, para o futuro imediato de nosso País. As informações, as conversas, os discursos, os debates, as denúncias e as promessas de antes e durante as últimas campanhas eleitorais (mesmo entre os menos avisados e por mais insuficientes que tenham sido em esclarecimentos) não entusiasmam a cidadania. Pouco se falou sobre programas de governo, quase nada se explicou sobre projetos, poucas idéias novas foram debatidas. Infelizmente, vamos às urnas neste domingo sem distinguir direito o que distingue um e outro candidato. Os compromissos econômicos são semelhantes e a continuidade do caminho ortodoxo, trilhado há 12 anos, é a única opção apresentada. Amanhã, eleito o presidente da República, faz-se imperioso o fim da campanha. O propalado ?terceiro turno? se evidencia numa ameaça suplementar às dificuldades (naturais e artificiais) já enfrentadas pelo Brasil. Amanhã será o tempo de se discutir os rumos do País, de se tentar corrigir os erros de curso (desta última dúzia de anos e não apenas do quadriênio que se encerra em 2006). O jogo político brasileiro precisa deixar de ser exclusivista e predador, há de se jogar duro sem perder o objetivo de fazer o Brasil avançar, crescer como economia e como sociedade moderna. Amanhã deveria ser o dia de se iniciar novos rumos, tempo de brigar pelo melhor caminho através do qual poderemos recuperar (pelo menos parte) o tempo perdido. Que siga sem tréguas a luta contra a corrupção, mas que esta bandeira não sirva (como no passado recente) como cortina de fumaça em benefício de golpes. O Brasil precisa de um amanhã verdadeiro.