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Nº 5692
Opinião

Referencial para o voto

| Antonio Xisto Mello * Já votei em Covas e em Lula. Não me prendo a voto por devoção a partido ou coligação, pois se assim o fizesse não teria como esclarecer aos meus filhos porque José Jorge, do “arcaico e coronelista” PFL, é o vice de Alckmin, enquan

Por | Edição do dia 29/10/2006 - Matéria atualizada em 29/10/2006 às 00h00

| Antonio Xisto Mello * Já votei em Covas e em Lula. Não me prendo a voto por devoção a partido ou coligação, pois se assim o fizesse não teria como esclarecer aos meus filhos porque José Jorge, do “arcaico e coronelista” PFL, é o vice de Alckmin, enquanto Roseana Sarney, do mesmo PFL, é vista num feudo chamado Maranhão elevando os braços com Lula e sendo batizada de “companheira”. A triste verdade é que a flexibilidade aceita hoje em termos de ética e moral nos empurra a votar optando pelo “menos pior”, ou considerando comparações muito limitadas, do tipo “era FHC” ou “era Lula”? Discutir sobre quem pariu o escândalo das ambulâncias, ou deu à luz e amamentou o caixa 2, o mensalão e outras falcatruas, só nos traz a certeza de que os lençóis em que estivemos e estamos não são bons. Ficar apenas comparando essas duas “eras” para votar revela nosso pequeno horizonte, nossa resignação com uma oferta de mediocridade na política, cada vez mais permeada pelo toma-lá-dá-cá, ausência de coerência e favorecimento de grupelhos. Um outro (e bom) referencial pode nos levar a um maior rigor no voto e à diminuição do impulso na defesa dos que estão aí digladiando-se pela Presidência. Escolhi como modelo o ex-prefeito Graciliano Ramos, e é a partir da conduta dele que julgo Alckmin e Lula, e não da comparação entre FHC e o mesmo Lula. Pelo rigoroso referencial que elegi para analisar candidatos, sinto que terei dificuldades para encarar a dupla de hoje na urna, tamanha a diferença de estatura no trato da coisa pública entre ambos e Graciliano. Paciência é o que me resta ter, na simples condição de eleitor. Em homenagem ao meu referencial, tomo emprestado um trecho de um artigo escrito pelo professor da UFPE, Luciano Oliveira: “Custa crer que existiu no Brasil um homem público como o “velho Graça”. Prefeito, despediu funcionários que nada faziam; diretor da Instrução Pública, contrariou políticos e praticou um ato de antinepotismo inimaginável, ao despedir a própria irmã junto com um lote de professoras inabilitadas para a função; inspetor de ensino, não faltou a um dia de trabalho, mesmo sendo amigo do ministro que o nomeara. Com isso, creio se tornar evidente o motivo para lembrar Graciliano neste momento. Ou seja: mesmo nada tendo a ver com essa caterva encalacrada em Brasília, o “velho Graça” – como uma espécie de negativo luminoso – tem tudo a ver com esses tempos mais vulgares do que propriamente sombrios que estamos vivendo.” (*) É procurador federal.

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