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Opinião

Dificuldades e solu��es

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| Humberto Martins * A maior parte das pessoas, absorvida pelas questões do dia-a-dia, não atenta para as transformações que acontecem em médio prazo na vida brasileira. É o caso da dívida externa do setor público, que há alguns anos era a grande questão nacional, o grande impasse que dividia opiniões em todas as esferas de influência. Agora, com a dívida externa do setor público em torno de US$ 63 bilhões e o volume das reservas nacionais em US$ 74.954 bilhões ? números da semana passada ? a dívida externa deixa de ser uma preocupação prioritária. Não é algo que deva ser relegado ou esquecido, mas já pode ser encaminhada com a serenidade que era impossível até bem pouco tempo. A dívida interna passa a ser a preocupação de plantão e o seu encaminhamento deverá figurar na pauta prioritária do próximo quatriênio. Para se ter uma idéia de como se desenvolveram as questões financeiras do País nos últimos tempos, mencione-se que em 1998 as reservas internacionais eram de US$ 74,3 bilhões e a dívida externa do setor público de US$ 76 bilhões. Uma política que deu prioridade às exportações é a principal responsável por esse resultado, que superou inclusive a valorização do Real, fator que encarece o valor do que o Brasil produz. A existência de um volume expressivo de reservas cambiais, além de fator de estabilidade interna, cria condições para o governo e empresas privadas nacionais captarem recursos a custos mais baratos, além de valorizar os títulos brasileiros. O conhecimento dos detalhes da atividade econômica, dificultado pelos termos complicados usados pelos especialistas, progressivamente, vai se tornando acessível a um grande número de pessoas, ajudando a compreender outros fenômenos. Exportar é importante porque gera empregos entre fronteiras. Ter reservas cambiais porque reduz o custo dos financiamentos imprescindíveis ao crescimento econômico e ao desenvolvimento. Conter a inflação é valioso principalmente porque preserva o poder aquisitivo dos salários. Essas conclusões, inacessíveis até bem pouco tempo à maioria dos brasileiros, universalizam-se graças à liberdade de informação e à modernização dos meios de comunicação. Um povo bem informado dos problemas nacionais tem muito mais condições de proceder coletivamente para pôr os homens certos nos lugares certos. Mais do que isso: pode cobrar de cada um dos escolhidos um desempenho à altura da confiança que lhe foi depositada. (*) É ministro do STJ.

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