Opinião
Investimentos na �rea da sa�de
| José Medeiros * Durante todo o período eleitoral esperei convencer-me de que a saúde pública receberia um tratamento especial, prioritário, nos próximos quatro anos. Prioridade na essência, com decisão política, em referência aos financiamentos e substanciais investimentos no sistema. Desde que o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado, como proposta de atendimento à totalidade dos brasileiros, um dos maiores problemas enfrentados tem sido seu inadequado financiamento. Um cobertor curto ou uma roupa pequena para um corpo grande, que é o complexo mundo da rede pública de saúde e conveniada. De nada adianta falar apenas de falhas e defeitos do atendimento, se os recursos são insuficientes e nem sempre correspondem às necessidades da ponta do sistema. ?Quem mais necessita de ser atendido sofre mais; quem pode menos, chora mais? é o que repetem muitos usuários constantemente. Estatísticas comparativas mostram que o Brasil está entre os países que têm o menor gasto público em saúde. Um ilustre mestre, estudioso desse assunto, afirma: ?No ano passado o Brasil gastou R$ 357,00 por pessoa e por ano, menos de um real por habitante/dia, somadas as três esferas de governo. O Uruguai gastou mais do dobro desse valor. A Argentina, quase o triplo. Perdemos feio para o Chile, Colômbia e Bolívia?. Não há como negar: a saúde é um bem precioso, sem ele nenhum outro se pode desfrutar. Imagine, você, leitor, o que vai pensar da definição da Organização Mundial de Saúde (OMS): ?A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social?. A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi idealizada para ser um recurso adicional dos gastos com a saúde. Porém tomou outro destino: em lugar de ampliar o orçamento da saúde pública, passou a engordar os cofres do governo federal. Esse imposto rendeu, em 2005, 32 bilhões de reais. Somos um País de muitos contrastes. Convivemos com uma medicina que, em muitos aspectos, alcançou níveis de eficiência e eficácia reconhecidos internacionalmente. E, ao mesmo tempo, o País não consegue vencer as ?velhas doenças?: a tuberculose (85 mil novos casos a cada ano); a hanseníase (cinco doentes para 10 mil brasileiros); e a dengue, cujo número dobrou de 2004 para 2005, entre outras doenças centenárias, que não estão sendo dominadas pelos esforços sanitários. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.