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Construir leitores: uma tarefa de pais e educadores

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| Thais Nicoleti * Muito se ouve acerca da necessidade de infundir nos jovens o hábito da leitura. Essa é uma daquelas afirmações que, apesar de incontestáveis (ninguém ousa dizer que ler não é importante, mas pouca gente, de fato, lê), carecem de argumentação. Há um pensamento difuso de que ler é importante para parecer (ou ser) ?culto?, seja lá o que isso for, para ter assunto nas conversas, para parecer interessante ou mesmo inteligente, enfim, para se diferenciar da maioria. Uma motivação desse teor, por frágil demais, não levará ninguém a focar sua atenção durante horas nas páginas de um livro. Ou bem existe uma indagação interior que requer as respostas que estão nos livros, ou não há mesmo nenhuma necessidade de ler. O que talvez falte é propor aos jovens perguntas cujas respostas dependam de reflexão e de imaginação. A capacidade de imaginar, à parte o aspecto lúdico que lhe é próprio, está na base do pensamento científico, de toda a capacidade de criação e de descoberta. E nada melhor do que a leitura de romances para ativar essa faculdade tão cara ao ser humano. A leitura, experiência absolutamente individual, é um exercício de imaginação e de atenção, que desenvolve a capacidade de concentração. Cabe aos pais e professores conversar com as crianças, estimulando a sua natural curiosidade pelas coisas do mundo; o passo seguinte é a leitura. Os pais devem ler para as crianças até que elas possam fazê-lo por si mesmas. O livro é bom não porque é um livro, mas porque é o único meio que temos de dialogar com outras épocas e lugares. O saber é uma construção coletiva e histórica. A escola, portanto, não deve ser uma fornecedora de informações a estudantes passivos e desinteressados. Ela deve ser um espaço em que os jovens tenham sua inteligência provocada. Só assim eles serão capazes de refletir com autonomia, objetivo último da educação. (*) É escritora, especialista em Língua Portuguesa.

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