Opinião
Uma boa li��o - Editorial
O Conselho Nacional de Saúde deverá votar, na próxima semana, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Trata-se de um plano que vem sendo discutido há três anos e tem como principal objetivo a humanização do atendimento e combate à discriminação nas instituições e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo considerando que tal medida deveria ter sido tomada há muitos anos, sua aprovação nos dias de hoje deve ser saudada como um avanço, face da lastimável realidade constatada pelo próprio Ministério da Saúde de que essa área é uma das mais impregnadas de rotinas e procedimentos influenciados pela lógica racista (mesmo que dissimulada). Levantamento referente a 2003 já mostrava as mulheres negras com 41% de maior risco de morte no período da gravidez, ou durante o parto, ou até um ano depois de dar à luz. E segundo estudo divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a proporção de negros e pardos com causa mortis mal definida é quase o dobro da registrada para defuntos brancos. Não se pode deixar de cobrar ainda mais esforços das autoridades visando garantir atendimento verdadeiramente humanizado. Tais promessas não podem ficar nas intenções. Esta deve ser uma política permanente para toda a população alcançada pelo SUS. Não podemos mais tolerar situações constrangedoras como vividas todos os dias nas unidades da rede de saúde pública e nos prestadores privados de serviços ao SUS, com problemas os mais variados ligados à insuficiência de recursos. Tais carências, apenas neste ano, concorreram para o fechamento de um hospital filantrópico na região do Sertão e de duas clínicas na capital alagoana, além de causar a redução de internações em vários outros estabelecimentos de saúde. Enfrentar a questão da discriminação racial no SUS é um bom começo.