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Opinião

No olho do apag�o

| Marcos Davi Melo * Vim para o Rio para dois congressos médicos, um em Búzios, onde os preços são inviáveis e o outro no Rio mesmo, onde nas horas de folga podemos aproveitar a cidade maravilhosa. No intervalo entre um e outro estourou a crise do apagão

Por | Edição do dia 04/11/2006 - Matéria atualizada em 04/11/2006 às 00h00

| Marcos Davi Melo * Vim para o Rio para dois congressos médicos, um em Búzios, onde os preços são inviáveis e o outro no Rio mesmo, onde nas horas de folga podemos aproveitar a cidade maravilhosa. No intervalo entre um e outro estourou a crise do apagão aéreo. A mídia lhe tem dado o maior espaço, mas é impossível se saber o que ocorre entre as suas muitas vítimas. No nosso caso, o primeiro congresso não teve maiores problemas, mas o segundo – o Franco-Brasileiro, internacional, com muitos congressistas do país e do mundo –, que começou no dia primeiro e vai até sábado, dia quatro, está um tumulto, com atrasos de mesas redondas e suspensões de atividades por falta de conferencistas que não puderam chegar ao Rio. O feriadão está irremediavelmente comprometido, estresse para quem queria viajar e descansar e prejuízos imensos para as companhias aéreas e setor turístico, principalmente para o Nordeste, que conta muito com esta atividade. A tal operação padrão dos controladores de vôo, que no fundo é uma greve, segundo informações é o comportamento adequado para os trabalhadores do setor. Por outro lado, as companhias aéreas reclamam do excessivo controle militar no setor, e fato: o último concurso para a aérea foi suspenso por uma tentativa de favorecimento a sargentos da aeronáutica. Um agravante significativo: os controladores de vôo ganham pouco (R$ 1.300,00). São insuficientes e fazem bicos como dirigir táxis, ônibus e policiamento. Atividades também desgastantes e incompatíveis com quem precisa exercer uma atividade desta responsabilidade. O ministro Valdir Pires, responsável pelo setor, para não fugir da média do governo atual, não sabia nada do que estava ocorrendo na sua cozinha. Para quem precisa voltar para casa, como nós, que não estamos a passeio, é estressante não saber o que vai ocorrer. O que está claro é que viajar de avião no Brasil é uma aventura e um risco muito maior do que se imaginava. Parece que nesta área tão importante à segurança e ao desenvolvimento do País, o suprimento de trabalhadores não teve a mesma importância que se verificou em outros setores, onde houve considerável aumento da máquina pública. Restá-nos além de penar para voltar para casa, apelar para as orações e torcer para as autoridades se informarem melhor do que acontece no País. (*) É médico e professor da Uncisal.

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